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sexta-feira, 30 abril 2021 10:57

Rubane: entre o simbolismo e a espiritualidade

Rubane Rubane

Rubane é um famoso incenso obtido a partir da seiva de uma árvore chamada Mussápo, muito usado na província da Zambézia, particularmente nas regiões com predominância muçulmana. Os usuários de rubane acreditam que este seja um bom purificador de ambiente e afugenta maus espíritos.

Para a obtenção do rubane, fere-se a arvore mussápo com vários golpes para permitir a saída da seiva, que normalmente escorre durante um dia. No dia seguinte, com um saco e uma faca bem afiada, colhe-se a seiva já seca, ou seja, o próprio rubane.

De seguida, numa panela de barro, leva-se o rubane ao fogo para derreter a seiva e começar a ferver. Se desejar uma quantidade elevada de rubane, pode-se juntar à seiva um pouco de areia fina. Fazem-se uns moldes de folhas de bananeira e, deita-se-lhes dentro o rubane ainda quente. Passados 30 minutos o rubane estará formado e retira-se dos moldes, ficando com o formato de barras de sabão e pronto para ser usado.

Segundo relatam os antepassados, os usuários queimavam e continuam a queimar rubane em brasa para afugentar os espíritos maus durante as cerimónias espirituais, onde pedem cuva aos antepassados, para celebrar o nascimento de uma criança, nas swadacas (uma cerimónia que se faz para os mortos a se pedir que Deus perdoe os seus pecados e que lhe conceda o paraíso). Nestas cerimónias, o rubane não pode faltar: é indispensável.

Depois do nascimento de uma criança se ela chora acima do considerado normal, a primeira coisa a que se recorre é o rubane: queima-se no local onde a criança dorme (quarto) e amarra-se um pedaço de rubane num pano branco, colocando-o no braço esquerdo da criança, para evitar que os espíritos maus o assustem.

O uso do rubane é uma pratica ancestral que dura até aos dias de hoje. O rubane é também usado nas diversas religiões como incenso em grandes celebrações. A exemplo da igreja Católica Romana, em grandes cerimónias como baptismo, no domingo de ramos, nas missas do natal e do fim do ano.

 

Escrito por Edmilson Mucuala para Tsevele

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