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terça-feira, 13 julho 2021 12:22

Matago e Mwarigo: mais uma marca da gastronomia Zambeziana

Matago e Mwarigo_dois derivados de arroz Matago e Mwarigo_dois derivados de arroz

Como anteriormente descrevemos neste artigo sobre Mucathe ou Boroa (broa), a província da Zambézia oferece grande variedade de derivados do arroz, mercê da sua posição como um dos maiores produtores deste cereal no país e à criatividade das populações locais para consumirem o cereal de formas diferentes.

No presente artigo trazemos mais dois derivados do arroz, típicos desta província, trata-se de Matago e mwarigo. Estes são dois dos principais pratos locais, principalmente nos distritos de Quelimane, Nicoadala, Namacurra, Maganja da costa e Mopeia.

A produção e consumo do mwarigo ou arroz torrado está ligada à época da colheita do arroz. Antes que etse esteja completamente pronto para ser colhido da machamba, os agricultores, por tradição ou por necessidade, retiram uma parte do arroz para torrar e secar, e, mais tarde é pilado e consumido.  

É frequente em tempos de colheita do arroz, ver os produtores a reservarem grandes quantidades deste alimento para torrar e guardá-lo, para ser usado nas festas de natal e final do ano.

Em tempos de colheita também é comum ouvir o interrompível som do pilão produzindo o matago. Este derivado do arroz é outro cartão de visita da província da Zambézia .

O Matago e mwarigo são preparados de forma quase idêntica, sendo a única diferença no momento de descasque. Diferente do mwarigo, o matago não se deixa secar depois de torrado,  leva-se imediatamente ao pilão antes de arrefecer, devendo e pilar-se sem parar.

Como descrito, o matago e mwarigo são feitos com base em arroz “verde”, que só é possível adquirir no tempo de colheita. Há, no entanto, uma técnica usada para transformar o arroz seco em matago pois este é fonte de rendimento da população dos distrito onde é produzido. A técnica consiste em mergulhar o arroz seco num recipiente com água durante dois ou três dias, dependendo do estado da secura do arroz. Depois dos dois ou três dias, o arroz é retirado da água e colocado numa peneira para escorrer toda água. Por fim tora-se o arroz e pila-se para se extrair o matago. Há quem mergulhe o arroz seco em água quente, para permitir rápida absorção da água, não precisando, por isso, dos dois ou três dias, podendo pilar no mesmo dia.

Escrito por Edmilson Mucuala para Tsevele

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