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terça-feira, 20 julho 2021 11:52

Pinturas Rupestres (de Nacavala e Riane): uma marca indelével dos nossos antepassados

Pinturas de Nacavala e Riane Pinturas de Nacavala e Riane

As pinturas rupestres fazem parte dos primeiros meios de comunicação deixados pelo homem pré-histórico, e, à semelhança de outros países em África, em Moçambique há vestígios deste património cultural, distribuídos por várias províncias do país. A Tsevele irá trazer nesta série, outras pinturas rupestres espalhadas por todo o país.

Neste artigo trazemos as pinturas rupestres Nacavala e Riane, localizadas na província de Nampula, no norte de Moçambique. As pinturas rupestres de Nacavala localizam-se no posto administrativo do mesmo nome, no distrito de Meconta, cerca de 60 km da cidade de Nampula. O distrito de Meconta está localizado no centro Leste da província de Nampula, fazendo fronteira a Norte com o distrito de Muecate, a Sul com os distritos de Mogincual e Mogovolas, a Este com o distrito de Monapo e a Oeste com o distrito de Nampula. Por seu turno, as pinturas rupestres de Riane localizam-se na circunscrição do Érati, no distrito do mesmo nome, também na província de Nampula.

As pinturas rupestres de Riane localizam-se no interior de uma gruta, no cume da Serra Riane, um local de difícil acesso. Presume-se que as pinturas tenham sido feitas de fora para dentro, antes do piso baixar devido a erosão, por indivíduos em pé, na superfície clara de uma rocha, de natureza diferente da que a envolve, talvez com os dedos, servindo-se de tintas diversas, mas com predominância do vermelhão.

Pesquisadores como Mahota (2015), salientam que as pinturas rupestres eram entendidas pelo Homem que as realizava como um ritual mágico e premonitório, eficaz para o controlo de uma realidade, como por exemplo a das caçadas. Era uma forma do homem dominar a natureza. A arte era algo possível a um ser dotado de experiência metafísica e religiosa, porquanto na sua essência a manifestação artística é sempre conceptual. Eles (os estudiosos) referem ainda que, no nosso país, predominam nas pinturas rupestres, as cores vermelha, laranja e castanho.

A estação de Nacavala mostra painéis que são do Período Neolítico, contendo traços geométricos. As estações de Riane mostram claramente painéis do tipo animalista, e que são da Idade Paleolítica. E ainda, nos painéis de Riane mostram que o desenho é rico em movimento, cor e arte, como se pode ver na imagem, apesar de não ser colorida.

Alguns nativos referem que a população de Riane receia o local onde se encontra as pinturas rupestres, portanto ligam lendas um tanto aterrorizadoras e de fundamentos altamente supersticiosos. E alguns salientam que a população tem procurado lenha perto desse local, sem nenhum receio.

Reparando atentamente as pinturas rupestres de Riane, percebe-se que o homem daquela zona observava os animais, estudava-os em pormenor e pintava-os supersticiosamente para os poder caçar com mais rendimento de trabalho. Neste caso, a caça era a actividade que lhe garantia os meios de subsistência.

As pinturas rupestres de Riane transmitem grandiosas mensagens de arte. A pujança dos traços anatómicos das figuras de animais, bem com a sua cor, dão beleza e harmonia extraordinárias a todo o conjunto e revelam uma perfeita técnica e conhecimento de hábitos e costumes dos animais selvagens. O mistério ou o enigma andam a par nestas exteriorizações de grande poder interpretativo. As figuras humanas concertam-se com as dos animais, sendo estes a desempenhar, no entanto, papel principal.

E, as pinturas rupestres de Nacavala mostram a posse de novas conquistas técnicas, que lhe permitiam abraçar outra economia, mostra-se desinteressado da caça, portador de sentimentos da vida cósmica, debruçado para a agricultura. Um dos problemas que mais o devia ter apoquentado foi a falta de água para as suas culturas e a consequente descoberta das cerimónias que revelassem a presença das forças misteriosas, os sinais pré-monitórios, a maneira de lidar com essas forças, desviando-se dos seus efeitos maléficos e pondo-as ao seu serviço para fins benéficos (Mahota (2015).

Na apreciação dos exemplos de Nacavala nota-se a existência de figuras geométricas circulares, rectangulares, quadradas, etc., sem representação de animais, nem de homens. Uns parecem constituir símbolos de valor astronómico, outros de técnicas de agricultura.

Na tentativa de fazer-se uma comparação entre as pinturas, certos estudiosos concluem que os instrumentos de produção de uma e outra são diferentes, mas as fórmulas mágico-religiosas perduram. Tal como o caçador, privado de armas aperfeiçoadas, desenhava o animal que queria matar no intuito de o predispor para o sacrifício, o agricultor, apenas na posse de um tosco pau de escavar ou enxada de cabo curto, desconhecendo os adubos e a irrigação artificial, reproduzia, temerosamente, nos anos de seca prolongada, as constelações que anunciam a chuva, na esperança de ver chover.

Não obstante os aspectos mencionados que serviam de inspiração e tema, a guerra, a dança e a caça são muitas vezes os principais motivos escolhidos pela arte rupestre. Gazelas, antílopes, rinocerontes, bovídeos, etc., são alguns dos animais admiravelmente nela representada. Os actos espírito-sagrados ou rituais religiosos têm também condigna representação.

As pinturas rupestres fazem parte do Património Cultural Moçambicano as quais são protegidas pelo estado, a Lei 10/88 de 22 de Dezembro aprovada pela Assembleia Popular que preconiza a identificação, o registo, a preservação e a valorização de todos os bens patrimoniais e culturais do país. A lei tem como objectivo a protecção legal dos bens materiais e imateriais do Património Cultural.

Escrito Ganito Bantaleão para Tsevele

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