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terça-feira, 10 agosto 2021 17:16

Otheka, Phombe ou mukhodo: uma cerveja, um modo de vida

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Otheka, phombe ou mukhodo é uma cerveja tradicional produzida e consumida um pouco por todo o país, com pequenas variações da receita, de acordo com a região onde ela é produzida. No norte de Moçambique é designada otheka; no centro do país é chamada phombe, e no sul de Moçambique é conhecida por mukhodo. A bebida é preparada através da fermentação da farinha de mandioca, designada karacata no norte de Moçambique, e da farinha de mapira.

Em tempos idos, a bebida era preparada e consumida em ocasiões especiais como celebrações familiares ou tradicionais – o caso do retorno dos adolescentes ou crianças das sessões de ritos de iniciação. Relembre os textos sobre os ritos de iniciação aqui e aqui. No entanto, na actualidade ela é produzida para fins comerciais.

Como é preparada a Otheka, Phombe ou mukhodo?

O senhor Adriano Notro, localmente conhecido por “animal do mato”, juntamente com a sua esposa, residentes no posto administrativo de Iapala, no distrito de Ribàué, na província de Nampula, são produtores e comerciantes de otheka.

Segundo estes, “primeiro molha-se um pouco a mapira e conserva-se num cesto ou numa esteira, num local com temperaturas baixas, até que ela comece a germinar. Após os sinais de germinação, calcula-se o dia que se pretende consumir a bebida, devendo ser pilado pelo menos quatro dias antes do dia do consumo. De seguida pila-se a mandioca seca, cuja a farinha é colocada a cozer com água suficiente (karata aguada). Após este processo, deixa-se arrefecer a karacata aguada, e depois mistura-se com uma quantidade de farinha de mapira (miropo). No dia seguinte, põe-se a mistura a cozer novamente, e depois deixa-se arrefecer a noite toda. No próximo dia, pila-se outra mandioca seca e repete-se o mesmo processo. Cinco horas depois, junta-se as duas misturas. Já na madrugada do dia do consumo, coa-se o produto final, que já pode ser chamado de otheka, phombe ou mukhodo”.

Para deixar a bebida mais amarga, estes profissionais explicam que depois de a otheka estar pronta, aquece-se um ferro ou pedaço de panela de barro, que é mergulhado na cabaça contendo a otheka. Este processo é chamado de otxivela.

Como qualquer outro alimento de origem vegetal, a Otheka ou mukhodo contém polifenóis compostos, que conferem propriedades antioxidantes, o que pode ajudar a reduzir o risco da manifestação de doenças, como acidentes cardiovasculares (AVC) e cancros.

Alguns consumidores de otheka ou phombe afirmam que se mal preparada, esta bebida pode causar alguns problemas de saúde, o caso de dores de barriga e diarreias.

Segundo práticas costumeiras locais, mulheres em período menstrual não devem estar envolvidas na preparação de otheka ou mukhodo, nem mesmo como ajudantes, dado que nem podem tocar nos utensílios em uso, sob o risco de a bebida se tornar azeda.

Escrito por Ganito Bantaleão para Tsevele

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