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terça-feira, 24 agosto 2021 15:29

Xibaba ou Xingyandza: uma especialidade gastronómica da "terra da boa gente"

Xibaba ou xingyandza, um derivado de mapira Xibaba ou xingyandza, um derivado de mapira

Xibaba ou xingyandza é um bolo fabricado a partir de mapira, predominantemente produzido e consumido nos distritos central e setentrionais de Massinga, Vilankulo e Inhassoro, e um pouco pelos distritos de Mabote e Funhalouro, todos na província de Inhambane.

Para além do seu valor nutritivo, a xibaba ou xingyandza também carrega grande valor cultural. A avó Khalhelani, de visivelmente 65 anos de idade (ela não conhece a sua idade), residente em Vilankulo, explica que este bolo é uma das oferendas especiais dadas ao noivo no dia do lobolo. “O bolo simboliza o formalizar e a recepção do genro dentro da família”, acrescenta a nossa entrevistada.

A avó Khalhelani, quase que soltando lágrimas de emoção, lembrou com bastante nostalgia os tempos em que o seu falecido esposo, o Sr. Afonso, era "Madjoni-djoni” (designação usada no sul de Moçambique para designar os trabalhadores das minas da África do Sul).

Ela recuou no tempo para recordar o quanto o seu marido gostava de xibaba. Era este bolo de mapira que ela na qualidade de esposa, preparava para o marido comer "pelo caminho" de volta ao trabalho. Por essa razão, a nossa interlocutora explicou que o bolo de mapira era, também, preparado para "receber" o esposo quando voltasse das minas.

A par da castanha de caju, maçaroca cozida e molina, o bolo de mapira era um dos alimentos que a maioria dos homens daquela época, trabalhadores de locais distantes, levava consigo para comer durante a viagem de regresso aos seus postos laborais.

Como preparar xibaba
Para preparar xibaba ou xingyandza, a nossa fonte explicou que precisa-se antes de tudo, da própria mapira, que não pode qualquer mapira. Deve ser a de grãos mais finos, pois, segundo ela,essa mapira é mais saborosa.

Pila-se a mapira e peneira-se para retira o farelo. De seguida, num recipiente como bacia de barro, põe-se a mapira água que baste, deixando de molho entre trinta a quarentena minutos. Depois de a Mapira estar suficientemente molhada, devolve-se esta no pilão, para esmagar e produzir a farinha.

Obtida a farinha, põe-se a farinha no pilão, adiciona-se açúcar que baste e seguidamente pila-se de modo a obter uma mistura homogénea. Seguidamente adiciona-se água no pilão já com a farinha misturada com açúcar. Pila-se até que o conteúdo esteja totalmente compacto. Depois, tira-se o conteúdo do pilão para uma bacia, para dividi-lo em porções. Estas porções de bolo, devem ser embrulhadas em folhas de bananeiras, que são depois introduzidos em água fervente.

Deixa-se ferver o bolo até que os embrulhos se desfaçam, sinal de que o bolo já está pronto. De seguida remove-se a panela do lume, tira-se os bolos para uma um recipiente, de preferência peneira, para permitir a secagem do mesmo.

O bolo de Mapira ou Xingyandza, pode ser conservado por semanas. Para isso tem que ter sido bem cozido e posto a secar ao sol, segredou-nos a vovó Khalhelani. Em festas de celebração de boa colheita, aniversário, nascimento de filhos a xibaba ou xingyandza sempre esteve presente, assim como em cerimónias de celebração do retorno dos filhos que trabalham distante. Hoje, porém, o bolo de mapira é feito e vendido em pequenos mercados locais nos distritos acima mencionados.

Escrito por Amadeu Quehá para Tsevele

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