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terça-feira, 28 setembro 2021 19:10

Museu Regional de Inhambane: uma exaltação à heroicidade de um povo

Museu Regional de Inhambane Museu Regional de Inhambane

O Museu Regional de Inhambane é uma instituição pública, de carácter científico e cultural, vocacionada para a preservação, conservação e divulgação do património histórico-cultural da província de Inhambane e Gaza. Entre os objectivos do Museu constam adquirir, registar, documentar, conservar, expor e colocar à disposição do público os dados e colecções aos seu dispor. Consta também das responsabilidades do Museu, representar a realidade local na multiplicidade de seus aspectos.

A casa foi construída em 1988 e inaugurada em 1989. Inicialmente, ela foi construída como Museu de Antiguidade e Inovações; entretanto, com o decorrer do tempo passou para Museu de Inhambane. Os acervos museológicos ostentados na sala de exposição permanente possuem uma visão cultural, social, económica e etnográfica de Inhambane.

A construção do Museu foi no âmbito das festividades dos 260 anos da Cidade de Inhambane, capital da província com o mesmo nome. Segundo o Director do Museu, o governo decidiu construir esta casa como forma de preservar a cultura e história locais.

É possível encontrar no Museu utensílios domésticos, instrumentos musicais, agrícolas, de guerra, caça e pesca, objectos que representam os meios de comunicação e transporte, tipos de habitação, vestuário e histórias da região. No mesmo ano, isto é 1989, foram construídos os Museus Militar, Museu Sacra, mas por exiguidades de fundos decidiu-se fundir os três museus num só, que passou a ter designação de Museu de Inhambane. Desde então passou a ostentar uma colecção mista com acervos relacionados a religião, acervos militares, para além dos já existentes sobre a história e a cultura.

Em 1992, com a realização de uma capacitação nacional em matéria de Museologia na província de Nampula, a norte de Moçambique, o então Ministério de Cultura e Juventude acordou que, no âmbito da expansão dos museus, o então Museu de Inhambane passasse a ter designação de Museu Regional de Inhambane, abrigando igualmente acervos da província de Gaza, entre os quais estão materiais de guerra usados pelo exército de Ngungunhane na resistência contra a ocupação colonial e efectiva do regime português.

Também podem ser encontrados objectos usados no festival do Ukanyi, um festival anual que se realiza na província de Gaza, em celebração ao dia 3 de Fevereiro, dia dos heróis Moçambicanos. Entretanto, devido a exiguidade de recursos financeiros, a maioria do objectos no Museu representam a história da província de Inhambane, sobretudo dos distritos mais próximos, entre os quais Maxixe, Jangamo. “Coloca-se como desafio alargar o campo de pesquisa do Museu Regional de Inhambane, para ter objectos representativos de distritos mais distantes de Inhambane e de Gaza”, acrescenta do director.

Por ser uma zona de convergência cultural, é possível encontrar no Museu objectos que não têm directamente relação com a cultura de Inhambane, mas dos povos que com ela tiveram contacto, como o caso de roupas indianas, por exemplo.

Sobre o Museu, o nosso entrevistado refere que “do ponto turístico, nós achamos que o Museu é um atrativo, uma vez que todo turista, quando chega a uma determinada região, procura saber como o povo vive, nas variadas dimensões humanas.

Os materiais conservados no Museu estão sob ameaça do ponto de vista de conservação, devido às condições do edifício, quando chove há infiltração no edifício, por isso os esforços actuais têm em vista colmatar essa lacuna.

O nosso entrevistado refere que neste momento a aposta do Museu é a operacionalização do Museu Virtual “para atingir visitantes mais distantes de nós”. O projecto já está à vista, nomeadamente já existe o website, mas devido a exiguidade de equipamentos funciona a meio gás.

Para aceder ao Museu Regional de Inhambane o visitante deve pagar uma taxa simbólica de 30 meticais. Geralmente são nacionais que mais visitam o local, com uma percentagem de até 80%.

Escrito por Vanila Amadeu para Tsevele

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