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terça-feira, 30 novembro 2021 16:40

Badjia: o pastel que carrega a identidade de um povo

Badjia: o pastel que carrega a identidade de um povo Badjia_badjia com pão

A badjia é um pastel feito à base de feijão Nyemba, bastante consumido na zona sul de Moçambique, concretamente nas províncias de Maputo, Gaza e Inhambane. Entretanto, ela é culturalmente dos povos Ronga, que habitam a província de Maputo.

O processo de preparação deste alimento indispensável na dieta dos Maronga requer bastante disposição e força braçal. Tudo começa com a separação do feijão Nyemba, processo que visa retirar o estragado e todas as impurezas. Feita a selecção, pila-se e peneira-se para remover a casca, um processo que a dona Amélia considera meramente estético.  “Tira-se a casca para que a badjia não fique escura e, também porque com a casca fica com um sabor esquisito.” Posto isto, lava-se o conteúdo, momento no qual aproveita-se para tirar a casca que certamente ficará na superfície do recipiente que se está a usar para lavar o feijão. A seguir, já é momento para pôr de molho na água por no mínimo durante oito horas de tempo. Esta fase é para facilitar o processo de moagem.

Passadas as oito horas, tira-se o feijão e coloca-se numa peneira para escorrer toda a água, enquanto prepara-se o alho, o piripiri (que deve ser preferencialmente fresco) e o sal. Os três devem ser levados à um alguidar e moídos até ficarem uma mistura homogénea. A seguir adiciona-se o feijão à mistura e mói-se até sair espuma e ficar esponjoso, o que vai indicar que está pronto para a fritura.

Para o processo de fritura é necessária uma colher do tamanho de preferência individual (isto depende muito do tamanho da badjia que se pretende), uma panela ou frigideira com óleo a aquecer no fogo e um recipiente para colocar as badjias prontas. Importa referir que durante o processo de fritura deve-se mexer o conteúdo de forma contínua até terminar a última colher, caso contrário “a badjia fica maçuda, não fofa como se pretende”, alerta a dona Amélia. Frita-se até a badjia ficar com coloração castanha, mas quem preferir pode até torrar.

Esta é a receita simples partilhada pela tia Amélia, que ela considera tradicional. Mas, existe a moderna, bastante usada actualmente, que inclui o acréscimo de cebola rama, salsa e fermento em pó à mistura para dar um toque diferente ao sabor. Há quem também acrescente trigo, como o caso da dona Amélia, para dar mais consistência.

Opções de consumo da badjia

Existem várias opções para o consumo desta delícia, e a mais conhecida e, se calhar, a preferida, é a badjia com pão. Alguns preferem adicionar salada de alface ou tomate, sendo que nesta última opção desfaz-se a badjia e mistura-se à salada e “é bom, muito bom”. Quando se mistura à txatinha, como é localmente conhecida a salada de tomate, pode substituir o caril, quando este não estiver disponível.

Conservação

A badjia pode ser conservada em locais frescos, de preferência na geleira, mas não por mais de três dias, pois começam a aparecer fios que indicam que já está prestes a apodrecer. Fora da geleira, ela pode aguentar por até um dia no inverno e menos que isso no verão.

Escrito por Vanila Amadeu para  Tsevele

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