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terça-feira, 18 janeiro 2022 19:37

Caracata: uma iguaria derivada da mandioca

Caracata Caracata Afia Gulamo

Caracata é uma papa ou xima preparada à base da farinha de mandioca seca. O prato tem várias designações, variando de região para região e pode ser encontrado um pouco por todo o país, mas com maior predominância na zona centro e norte de Moçambique, com destaque para as províncias da Zambézia, Nampula, Cabo Delgado e um pouco Niassa, Sofala e Tete. Neste artigo, o foco será a caracata preparada nas províncias de Nampula e Cabo Delgado.

Muitas vezes chamada de "xima de Caracata" ou "xima preta", para se ter a caracata tudo começa com a preparação da farinha, que se obtém da trituração da mandioca, que pode ser em pilão ou outro método. Obtida a farinha, vamos agora ao processo de preparação da própria xima ou caracata: primeiro ferve-se água em uma panela, de seguida vai se colocando a farinha aos poucos e mexendo de forma contínua, vais se acrescentando até que tenha uma consistência firme, depois amassa-se bem para que não tenha bolhas de farinha não cozida. Depois é só esperar até à cozedura.

Caracata pode acompanhada de vários caris desde peixe, seco ou fresco, caril de carne, frango, e por verduras. Ela tem uma cor castanha por vezes muito escuro e noutras nem tanto, é muito dura e elástica, é geralmente consumida com as mãos, formando pequenas bolas que depois são mergulhadas em caril e de seguida engolida sem mastigar, de preferência.

Senhora Anifa Momede, de 69 anos de idade, residente na Ilha de Moçambique e cozinheira há mais de 35 anos, conta que caracata é dos pratos mais apreciados na Ilha, geralmente acompanhada caril de camarão com coco, ou os mariscos cozidos ao molho de limão e piripiri.

A Caracata é conhecida como comida muito energética. Ela pode ser consumida em qualquer período do dia, de manhã, ao pequeno-almoço, ao almoço ou ao jantar. Na província de Nampula e Cabo Delgado a caracata tem um valor simbólico – servir caracata aos hóspedes é considerado sinónimo de bom acolhimento e boas-vindas.

Escrito por Afia Gulamo para Tsevele

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