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terça-feira, 25 janeiro 2022 19:15

Casa dos Bicos–Beira: entre a ousadia e extravagância arquitectónica

Vista aérea da casa dos bicos Vista aérea da casa dos bicos

A Casa dos Bicos é um edifício localizado na Av. Samora Machel, na baixa da cidade da Beira, província de Sofala. Foi no segundo semestre de 1964 em que foi publicada a ideia de construção de um pavilhão de exposições permanentes de actividades econômicas, industriais e artísticas por iniciativa da junta comercial externa.

Além da Junta do Comércio Externo, estiveram ali instalados o centro de informação e turismo, assim como alguns departamentos de serviços de Economia.

Foi construída na zona centro-cívico e comercial, pensando-se em enquadra-la num arranjo paisagístico envolvente, tendo como fundo um vasto rio, o Rio Chiveve. Este foi um projecto inicial do arquiteto João Afonso Garizo do Carmo (1917-1974). O imóvel tem uma construção invulgar de sentido moderno, com movimentada volumetria, através de uso de superfície curva em betão armado em forma de bicos. Logo no início da construção da casa, a mesma começou a apresentar problemas sérios que afectaram a sua estrutura, em resultado da alteração que o projecto inicial viria a sofrer.

Em entrevista ao Sr. Adalberto Boaventura, chefe do Departamento de Monumentos históricos da direção provincial da Cultura e Turismo de Sofala, explicou que após a independência nacional, a 25 de Junho de 1975, as instalações foram nacionalizadas, tendo a partir da década de 80 retomado verdadeiramente as actividades para as quais fora concebida, como por exemplo actividades de exposições e feiras, assim como espetáculos musicais em forma de concursos, denominados paradas de sucesso. As mesmas estavam sob gestão do saudoso José Carlos Beirão, e mais tarde juntaram-se a este, Djalma Lourenço e Álvaro Castiano Zumbire, músico e coreógrafo, as quais tiveram a designação de Exposição da Feira do Chiveve ( EFEC).

Na década 90, estas actividades sofreram uma interrupção, pois a pessoa que estava a gerir a Casa dos Bicos, Carlos Beirão, achava que deveria abraçar outros negócios, e a casa ficou abandonada. Após o abandono, começaram a surgir empresas que não tinham nada a ver com as atividades para as quais a casa foi criada. Adalberto Boaventura refere que já funcionaram ali talhos, lojas, mas estes fracassaram, fazendo com que a casa fosse invadida por ladrões, os quais retiraram a louça sanitária, os vidros e as portas.

Por volta de 1994-1995, com o falecimento de Carlos Beirão, a infraestrutura, na época já sob gestão da Indústria e Comércio, em contratos de arrendamento, passou a acolher várias lojas, entre boutiques, talhos, venda de calçados, entre outras, e, porque o projecto não deu certo por falta de movimento, muitos destes acabaram abandonando. Assim, o pavilhão foi entregue à sua sorte, acabando até por acolher malfeitores, mendigos e vândalos.

Preocupados com o destino desta infra-estrutura que sempre desempenhou o papel de cultura e turismo, o sector da Indústria e Comércio elaborou um plano de operacionalização da casa, como por exemplo a promoção de feiras culturais, exposições, entre outros. A respeito disto, Adalberto Boaventura refere que para a retoma das actividades falta a colocação de vidros, portas de madeira e a reparação dos balneários (louça sanitária). Para reabilitação da casa, portanto, o nosso entrevistado disse que há interesse por parte de uma empresa, que tem a ideia de reabilitar a casa e ocupá-la por 50 anos. Período no qual a empresa pretende colocar a casa do centro social, criar galerias de vários compartimentos para as exposições, uma sala de espetáculos, galeria de venda de artigos de arte, compartimentos que irão servir de restaurantes.

Actualmente a casa encontra-se num estado razoável pois esta ainda necessita de algumas reparações para voltar a exercer as actividades que levaram à sua criação.

Escrito por Margarida Amadeu para Tsevele

 

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