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terça-feira, 22 março 2022 14:19

Pórtico das Deportações de Escravos de Inhambane: as marcas dolorosas da nossa história

Pórtico das deportações_Inhambane Pórtico das deportações_Inhambane Vanila Amadeu

O Pórtico de deportações de escravos é um monumento histórico relacionado ao comércio de escravos praticado na província de Inhambane entre 1910 e 1922. Segundo conta Luís Chaúque, Chefe do Departamento do Património Cultural da Direcção Provincial da Cultura e Turismo de Inhambane, a busca dos escravos era feita de noite e tinha como recrutadores os régulos e seus indunas. “Os escravos, enquanto aguardavam sua deportação, eram concentrados na sede da Companhia Boror, que ocupava uma das casas da família Teixeira. O navio que os transportava ancorava em Linga-Linga, há poucas milhas de Nyafokweni, outro centro de venda de escravos”, explicou Chaúque.

Para não reconhecerem a direcção do barco em que seguiam, os escravos tinham os olhos vendados com lenços, e só eram desamarrados quando o barco se encontrasse no alto mar, depois de ter percorrido uma longa distância.

Eram seleccionados para escravos homens e mulheres, alguns dos quais supostamente criminosos. Outros ainda “só por uma desobediência ao cumprimento de ordens dos régulos, dos indunas, ou não concordar com o sistema de colonização, então era visto como desobediente, e era por isso levado para a prisão e vendido como escravo.” Em troca de escravos, os compradores ofereciam dinheiro.

depois de comprados, os eram sinalizados para permitir a identificação da sua proveniência. Geralmente, navios designados negreiros podiam sair de Portugal em direcção a Moçambique para comprar moçambicanos, e fazê-los escravos, acrescentou o nosso entrevistado.

Os escravos eram levados para a Ilha Reunião, América, Portugal, Macau e de lá “eram submetidos a trabalhos em grandes plantações de cana-de-açúcar, de algodão, de chá e até mesmo nas obras de construção civil como estradas, linhas férreas, entre outros”, conforme afirma o Sr. Chaúque.

O impacto deste comércio, segundo refere Luís Chaúque, reflectia-se em famílias sem chefes, crianças sem pais, mulheres sem maridos, o que causava grande sofrimento aos moçambicanos.

Actualmente o edifício está degradado pois por lei todos os edifícios construídos antes de 1920 fazem parte do património nacional, pelo que não se pode destruir, mas sim restaurar. Este processo deve ser feito usando o mesmo tipo de material, no caso, mel, cal e pedra. Apesar disso, estão em curso acções para transformar o local em um museu de escravatura, trabalho este que está a ser feito pelo Conselho Executivo Provincial de Inhambane.

Escrito por Vanila Amadeu para Tsevele

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