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terça-feira, 05 abril 2022 20:40

Naherenque ou Fernão Veloso: a história por trás de uma das mais belas praias de Moçambique

Naherenque ou Praia Fernao Veloso Naherenque ou Praia Fernao Veloso

No longínquo ano de 1914 chega à zona hoje conhecida por Nacala, num barco à vela, um enviado especial do regime colonial vindo de Portugal, de nome Fernão Veloso, tendo atracado na parte da praia que fica no bairro de Naherenque. Esta história é contada por Mahamudo Quirine, ancião no bairro Mathapue, em Nacala, uma fonte que se prontificou a partilhar o seu rico conhecimento da história desta região.

 O senhor Quirine explica que quando o senhor Fernão Veloso chega naquela zona, ficou encantado pela beleza e pureza natural, tendo decidido instalar a sua moradia enquanto estudava mecanismos para a exploração do local. A partir de 1914, Nacala era chamada posto administrativo de Naherenque, e controlada pelo português Fernão Veloso, mas este era um posto provisório que funcionou de 1914 a 1955. Dois anos depois, em 1957 o posto foi transferido para a actual Nacala-a-velha, por ser um local onde havia muita concentração populacional. E a região que hoje chamamos de Nacala era representada por dois régulos, nomeadamente, Muxilipo e Suluho, que recebiam ordens de Nacala-a-velha e implementavam-nas nestas regiões. Fernão Veloso continuava a residir no bairro de Naherenque, devido à linda paisagem complementada pela praia, que na altura chamava-se praia de NAHERENQUE, e continuava controlando toda a faixa de Nacala e cobrava todos os pagamentos sejam de taxas de impostos, taxas de pagamentos comerciais, entre outros.

Algum tempo depois, isto é, de 1956 a 1964, com o desenvolvimento de diversas obras como abertura de pista para aviões na zona que hoje é Base Área de Nacala, a construção da ponte do porto em madeira, a sede é transferida de Nacala-a-velha para Nacala Porto, passando a chamar-se Câmara Municipal de Fernão Veloso, instituindo-se a sua presidência.

A nossa fonte descreve que quando iniciou a guerra de libertação nacional em 1964, Fernão Veloso andou sempre fugitivo, com medo de ser morto. Numa certa noite, acrescenta a nossa fonte, que não conseguiu revelar a data exacta, Fernão Veloso é cercado na sua residência com o intuito de capturá-lo, mas este conseguiu escapar pela janela do lado da praia, e pôs-se em fuga. “Desde aquela noite, ninguém mais o viu”.

Ainda nas paredes das antigas infra-estruturas, que foram construídas nesta praia no tempo colonial encontra-se escrito o nome de Câmara Municipal de Fernão Veloso, como era conhecido antigamente, pela sua exigência nas cobranças municipais.

Escrito pelo José Alácio para Tsevele

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