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terça-feira, 26 abril 2022 19:22

Pinturas Rupestres de Tchahulo e Namulempwa: entre a ciência e a criatividade dos nossos antepassados

Pinturas Rupestres de Tchahulo e Namulempwa Pinturas Rupestres de Tchahulo e Namulempwa

As pinturas rupestres constituem vestígios da pré-história muito disseminados pela região da África Austral, de maneira geral e de Moçambique, em particular. Elas são um conjunto de manifestações artístico-simbólicas representadas nas paredes e tectos de cavernas, grutas e abrigos rochosos, representando parte integrante do património tangível e intangível das comunidades locais (Macamo &  Jopela in Notice, 2015).

Em Moçambique existem vários vestígios deste património cultural, que podemos encontrar quase em todas as províncias do país, as quais temos vindo a documentar aqui na Tsevele, o caso de Nacavala e Riane.

Neste artigo, trazemos as pinturas rupestres de Tchahulo e Namulempwa, ambas descobertas na província de Nampula, no distrito de Mecuburi. Tchahulo é nome de uma montanha que se encontra à beira do rio com o mesmo nome. Namulempwa nome Emakwa que em português significa escrita, é o nome de uma montanha que carrega algumas escritas, em formato de desenhos de diferentes significados.

Estas pinturas rupestres acabam de ser descobertas em locais diferentes no interior do distrito de Mecubúri, província de Nampula, graças à colaboração das comunidades locais, e as mesmas reflectem essencialmente o valor que o Homem da sociedade primitiva reservava à gastronomia baseada em produtos agrícolas locais. Essas pinturas localizam-se há cerca de 7 e 48 quilómetros da vila sede distrital,  respectivamente.

De acordo com Manuel Pedro, chefe da Repartição Cultural e Desporto no Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia no distrito de Mecubúri, a leitura que se faz a respeito das pinturas ora descobertas naquela região interior de Nampula conclui que o Homem primitivo vinha desenvolvendo desde a sua existência, esforços próprios para produzir os seus instrumentos agrícolas.

Esta reflexão baseia-se no facto de terem sido encontrados metais e pedra de um tipo que reúne características de serem resistentes, os quais foram usados para produzir instrumentos que possam ajudar a trabalhar a terra sem danos físicos, sobretudo membros superiores do homem.

Confirma Manuel Pedro, de acordo com estudos preliminares realizados por técnicos do sector da cultura, entre outros, que a agricultura foi uma das primeiras actividades desenvolvidas pelo Homem visando garantir a sua sobrevivência num distrito eminentemente agrário, tendência que até nos dias de hoje prevalece no seio das comunidades, o que o torna um dos maiores produtores da província e ao nível nacional, sobretudo, na cultura do algodão.

Nas pinturas rupestres de Tchahulo e Namulempwa podem ser encontrados várias figuras de produtos agrícolas alimentares como o cogumelo, mandioca, entre outros tubérculos, incluindo cereais, como ilustra a figura que acompanha este texto.

Estão igualmente reflectidas naqueles locais, pinturas de peles de animais ainda por descortinar, um facto que dá conta que a caça vinha sendo praticada com o intuito de o Homem se alimentar da sua carne e usar a pele dos animais que abatia para vestir, acrescentou a nossa fonte.

Ainda nestas pinturas, podemos destacar nas grutas instrumentos de caça e defesa em caso de guerra entre os homens, quer com animais considerados ferozes, flechas e azagaias, incluindo outros cuja utilidade ainda não foi apurada. Importa lembrar que Mecubúri é o distrito onde se localiza a maior reserva florestal e faunística do país. E confirma-se a existência até ao momento naquele local, de animais como leões, leopardos, elefantes, além de gazelas, changos, macacos, cuja caça é feita de forma ilegal.

A nossa fonte acrescenta ainda que as pinturas rupestres ora descobertas em Mecuburi permitem apurar que os primitivos já sentiam a necessidade de identificar instrumentos para avaliar monetariamente os produtos agrícolas, entre outros bens valiosos destinados à comercialização, porque nas figuras podem ser observados  números aritméticos.

De acordo com Eugénio Muehiua, Director Distrital substituto do Serviço de Educação, Juventude e Tecnologia em Mecubúri, há mais locais de valor histórico-cultural que podem atrair a atenção de turistas para afluir àquela parcela de Nampula, nomeadamente os montes Rucunuane, a floresta Morripa-Othana e a lagoa de Mucuessa, que são locais de culto tradicional.

Como forma de tirar proveito da sensibilidade que as comunidades demonstram com os locais históricos e culturais que o distrito possui, as entidades distritais da Educação, Juventude e Tecnologia de Mecubúri mobilizam os jovens a desenvolver trabalhos que se traduzem na preservação das pinturas rupestres, sendo de destacar a abertura e manutenção das vias de acesso, até aos locais onde se encontram as tais pinturas rupestres, assim como outros locais de valor histórico-cultural que acabamos de mencionar anteriormente.

Para o efeito, foram criados núcleos que contam com jovens de ambos os sexos, os quais são dirigidos por anciãos e líderes tradicionais que assumem o papel de explicadores aos estudantes universitários, assim como aos turistas que escalam a região com o propósito de tomar conhecimento da realidade histórica ali patente, sobre as quais fazem algumas interpretações empíricas.

Escrito por: José Alácio para Tsevele.

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