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terça-feira, 03 maio 2022 18:55

Mbéua, uma iguaria exótica e sem igual

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O mbéua é um tipo de rato consumido nas províncias de Sofala e Manica. O Termo mbéua é utilizado para diferenciar o rato do campo (o comestível), do rato “do lixo” ou o rato vulgar predominante nas casas, denominado txírua na língua Cisena (ou Sena) que não é comestível. Para além do nome, a outra distinção entre os ratos comestíveis e não comestíveis é o seu aspecto físico, o txírua é mais volumoso que o rato mbéua, e é um pouco mais castanho.

Em conversa com o Sr. Jaime Domingos, residente na província de Sofala, ele explicou que este rato pode ser encontrado nas machambas ou em pequenas matas não densas, onde é caçado através de armadilhas típicas.  Após a caça, segue-se a fase de processamento até que esteja em condições de ser consumido.  A forma mais fácil e comum de preparar o mbéua é a fumagem, que consiste em colocar o mbéua num espeto e pô-lo num fogo em brasa para facilitar a raspagem dos pelos, processo que deixa o mbéua com coloração mais escura.

Durante este processo, alguns preferem tirá-las, mas há quem prefira consumir o mbéua com as suas tripas, e estes últimos afirmam que a carne é mais saborosa com as tripas.

Um rato, várias receitas

São várias as opções para preparar o mbéua, entre os seus consumidores, desde a simples água e sal, assado, frito, cozido com coco ou óleo.  

Mbéua frito

Após retirar as tripas (para quem assim prefere), lava-se o mbéua e tempera-se com alho e limão e deixa-se por alguns minutos. Passado este tempo, leva-se o mbéua á frigideira com óleo já quente, tal como ocorre com qualquer outra fritura. Para acompanhar Mbéua, sugere-se que seja com uma xima de mexoeira quente.

Mbéua cozido com coco

Para o caril de coco, o senhor Jaime explica que o processo de sua cozedura é bem simples. Primeiro deve-se preparar o mbéua (retirar as tripas), sem temperar, apenas coloca -se o sal. Em seguida prepara-se o tomate, a cebola, e o coco. Geralmente, para cozinhar o mbéua com coco usa-se o primeiro e o segundo leite. A quantidade do coco depende de cada um, ou da quantidade dos ratos a serem cozidos. Depois de preparados todos os ingredientes, refoga-se o tomate e a cebola, e a seguir coloca-se o mbéua para guisar. Depois de guisado, adiciona-se o leite de coco, e deixa-se a ferver até a cozedura, enquanto vai mexendo para garantir a boa consistência do caril.

mbéua cozido com óleo

Para cozinhar o mbéua com o óleo, basta que sejam preparados todos os ingredientes (tomate, cebola e pimento, e mbéua limpo – sem tripas). Pode-se temperar o mbéua com alho e limão (é opcional). De seguida refoga-se o tomate e a cebola, e depois de cozerem o tomate e a cebola, coloca-se o mbéua para guisar. Após guisar, adiciona-se um pouco de água quente e sal e deixa-se ferver até que coza e o molho fique denso e na quantidade desejada. Depois deste processo todo, e com o sal no ponto, já pode-se considerar que o caril já esteja pronto e pode ser servido.

Recomenda-se que o Mbéua seja acompanhado com a xima de preferência de mexoeira em relação ao arroz, ou a xima feita com farinha de milho, pois esta dá um saber único e delicioso ao prato. Um outro motivo para a escolha da xima de mexoeira é pelo facto de esta ser mais leve comparado com a xima de milho, e mais importante ainda, é mais predominante nas zonas rurais da província de Sofala, onde o mbéua é mais consumido, em relação a xima de milho. Para além da xima de mexoeira, o mbéua pode também ser acompanhado com xima de mapira.

Jaime explica que aprendeu a preparar o mbéua na Associação Tagumanicanave, aquando dos inquéritos sobre os hábitos e preferências alimentares dos povos Sena e Ndau.

Escrito por Margarida Amadeu para Tsevele

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