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terça-feira, 14 junho 2022 19:43

Caracol: uma proposta exótica e aliciante

Caracol Caracol

Os caracóis são moluscos gastrópodes terrestres de concha espiralada calcária, pertencentes à subordem Stylommatophora, que também inclui as lesmas. São animais com ampla distribuição ambiental e geográfica, respiram através de um poro respiratório. Em Moçambique, este molusco é predominante em todos os cantos do país, e é utilizado como uma opção ou ingrediente para a gastronomia e o uso cosmético tanto em Moçambique, assim como em vários cantos do mundo.

No país, existem diversas espécies de caracóis comestíveis, sendo os mais comuns na província de Sofala, os seguintes:

O caracol Helix aspersa, conhecido pelo nome comum de caracoleta ou caracoleta-de-jardim, que na província de Sofala recebe o nome de Maguezi ou Guezi em língua Cisena, este aparece muito depois da chuva, ou em zonas alagadas.

O caracol Helix pomatia, conhecido como Escargot, é uma espécie de caracol terrestre comestível, de grandes dimensões, predominante nas machambas. esta espécie de caracol na língua Cisena recebe o nome de Óbhua.  Por cima da sua carapaça tem uma pequena tampa que abre e fecha, que é usada para se proteger dos predadores. Este caracol é menor em relação ao caracol Guezi.

Helix lucorum é uma outra espécie caracol terrestre que  também pode ser chamado de Mandombe, é o menor de todos os caracóis acima referidos e também possui uma pequena tampa que usa para se proteger dos predadores. Este geralmente aparece mais depois da chuva, e pode-se encontrar em qualquer lugar (nas machambas ou ate mesmo nos quintais).

Jaime Domingos, representante da associação Tagumanicanave na cidade da Beira, explica dos abundantes na província (o Maguezi, ou Guezi, o Óbhua e o Mandombe), o Mandombe, que é menor comparado aos outros, é o mais consumido. Por seu turno, o caracol Maguezi é mais consumido no distrito de Chibabava em relação aos restantes distritos da província.

Formas de consumo do caracol

O caracol assado

Devido ao tamanho destes moluscos, o caracol Óbhua é o mais adequado para assar , por possuir um tamanho maior em relação aos outros caracóis. Este pode ser assado com a sua carapaça assim como não. Para assar o Óbhua sem a sua carapaça é  necessário que se se faça a fervura antes, e depois pode-se optar por partir a mesma ou levar uma agulha ou um pau fino para retira-lo da sua carapaça. Em seguida pode-se colocar em um especto para facilitar o processo, pois quando fervido tende a reduzir o eu tamanho. "É mais saboroso assar sem ferver, pois não perde as suas propriedades”, partilhou o senhor Jaime. Ele sublinhou ainda que as outras lesmas também podem ser assadas, mas a mais fácil de assar é o Óbhua.

Para além de assar, pode-se simplesmente fazer-se a fervura destes moluscos (de todas as espécies mencionadas) adicionando uma pequena quantidade de sal durante a fervura e depois retirá-lo da carapaça e consumir ainda quentinho.

O Guisado de caracol

Para além de assar ou simplesmente ferver e consumir, este pode ser usado para fazer um bom guisado. Para guisar o caracol (todas as espécies) primeiro prepara-se o caracol (fazer a sua fervura e retirar a carapaça). Depois conserva-se a água usada na fervura. Em seguida preparam-se os ingredientes que serão usados para fazer o guisado, nomeadamente: o tomate, a cebola, o alho, óleo, o pimento a cenoura, folhas de louro, rajá e outros temperos a gosto.

Depois de preparados todos os ingredientes, coloca-se o óleo a aquecer numa panela limpa e num fogo em brasa. De seguida coloca-se o alho, podendo ser picado ou simplesmente pilado junto com o sal, e em seguida coloca-se as folhas de louro e uma colher de sopa de rajá. Após torar um pouco o alho, adiciona-se a cebola deixando-a lourar por um  minuto. Tendo terminado de lourar a cebola adiciona-se o tomate e a cenoura, deixando ferver por alguns minutos, e depois adiciona-se o ingrediente principal,  o caracol, juntamente com a água usada na fervura. Em seguida, deixa-se o caril a ferver por alguns minutos e, para terminar coloca-se o pimento e o sal. Após cozedura do pimento pode-se considerar o guisado pronto para ser consumido. No entanto, senhor Jaime refere que há quem prefira sem todos estes ingredientes.

O caracol cozido com coco

Uma outra alternativa ao simples guisado desta lesma é o caril de caracol com coco, sendo que para fazer o caril com coco, basta que sejam preparados todos os ingredientes (alho, tomate, cebola o leite de coco e o caracol já fervido), em seguida, refogam-se os ingredientes como se fosse para fazer o guisado. Depois de terem sido refogados todos os ingredientes adiciona-se a agua que foi usada para ferver o caracol e deixa-se ferver por alguns minutos e, depois adiciona-se o primeiro e o segundo leite de coco e deixa-se ferver o caril até ficar denso. Outros também optam pelo caril de coco e amendoim.

Uma baba com vários benefícios para a pele

Apesar de incomum e um tanto quanto exótico, a baba do caracol pode ser usada nos cuidados de beleza, ela estimula a produção de fibroblastos aumentando os níveis de colágeno e elastina na pele, e assim, tem-se mais firmeza na pele.  A baba contém enzimas que contribuem na reparação e cicatrização da pele, além de ser hidratante e antioxidante. Como consequência, a síntese de colágeno e elastina é exacerbada e a velocidade de reparação da pele é normalizada, suavizando as rugas e devolvendo densidade, brilho e uniformidade à pele envelhecida.

O extrato de caracol ainda pode conter vitaminas revitalizantes e antioxidantes, alantoína antibiótico natural (efectivo contra diferentes tipos de bactérias importantes para manter a pele saudável) e ácido glicólico que confere à “baba” suave efeito esfoliante ao lado das enzimas.

Escrito por Margarida Amadeu para Tsevele

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