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terça-feira, 12 julho 2022 19:00

Maguro, Tihove: mais uma sugestão da gastronomia Chope

Maguro ou Tihove Maguro ou Tihove Vanila Amadeu

Moçambique é um país com uma vastidão de pratos exóticos, característica que se aplica a todas comidas tipicamente locais. Esta riqueza distribui-se sem excepção por todo o país, onde cada tribo tem sempre uma proposta marcante para oferecer àqueles que se dão o privilégio de experimentar as delícias locais. Tudo isto só é possível graças aos inúmeros recursos agrícolas produzidos em cada região, resultante do bom clima que o país oferece. Entre eles está o milho.

Sabe-se habitualmente que o milho serve para fazer xima, papinha e até maheu (uma bebida local). Todavia, existe uma outra possibilidade, não muito conhecida, mas bastante saborosa. Falamos do maguro, nas regiões Chope e tihove para os falantes de Citswa ou Xitswa. Esta é uma comida tradicionalmente moçambicana consumida sobretudo pelo povo Chope. Um povo residente no extremo Sul da província de Inhambane, na região Sul de Moçambique.

Para falar sobre este prato atípico contamos com a Dona Margarida. Ela é chope, actualmente residente na Cidade de Inhambane. Fala-nos com muito prazer deste que é um prato que marcou sua vida.

Para preparar o maguro, a nossa entrevistada refere serem necessários um quilo e meio de milho, dois cocos grandes ou três pequenos e dois copos de amendoim pilado. Sobre o amendoim, a dona Margarida refere que a quantidade depende da preferência de cada um. Pois há quem goste muito deste alimento, mas há quem não. Entretanto, há uma dica que deixa ficar “para o caso de maguro, é mais saboroso quando se tem muito amendoim. Para este caso dois copos são suficientes”.

Colocando a mão na massa

Como pontapé de saída, dona Margarida refere que é necessário ter o milho bem limpo. Para garantir isso “é necessário pilar por até três vezes, entre as quais deve-se tirar o farelo”. Posto isto, lava-se e põe-se na panela com água que cubra o milho por completo, depois leva-se ao fogo para cozer. Coloca-se também sal que baste.

A nossa entrevistada refere que por ser milho seco, a cozedura leva muito tempo. Esta pode durar por quatro horas ou mais, dependendo da intensidade do fogo. É importante recordar que, enquanto ferve, deve-se controlar a quantidade de água na panela, que certamente vai acabar antes que o milho coza. Por isso é necessário certificar-se e repor a água durante o processo quando esta diminuir, até que o milho coza. “O milho deve ser fervido na lenha” aconselha a dona Margarida, “porque se for no gás a botija pode acabar antes que o milho coza (risos)”.

 Para se certificar da sua cozedura, o milho deve estar mole e facilmente mastigável, o que significa que já está pronto para ser misturado ao coco e ao amendoim. Entretanto, mesmo depois de cozer, deve-se verificar se ainda tem água na panela. “Se ainda tiver, deixa-se ao fogo até acabar a água do milho, nesta fase com fogo brando, sempre controlando para não queimar”.

Uma mistura exótica

Depois de cozer o milho, é chegada a fase de coar o coco na panela por até duas vezes, com o milho já no interior desta. Acrescenta-se nela o amendoim pilado, e leva-se ao fogo. Adiciona-se sal que baste. Inicialmente o fogo pode ser intenso para levantar fervura, mas quando já estiver a ferver, deve-se abrandá-lo para evitar que queime antes de cozer. Este processo dura por aproximadamente duas horas.

Importa referir que a fervura deve acontecer até que a quantidade do leite de coco diminua. Enquanto isso, mexe-se para que o conteúdo não cole na panela e queime. Estima-se que até essa altura, se o fogo estiver em intensidade média, já deverá estar cozido. Isso pode levar até uma hora e meia. Para isso, “deve-se certificar que a intensidade do fogo é média, para ferver de vagar. Assim, não se dá o caso de acabar água antes de cozer o amendoim, como acontece quando o fogo é bastante intenso. E já está”.

Um esforço que vale a pena

Apesar do processo penoso para preparar maguro há no fim uma recompensa porque o sabor é único”.

É sobre este “sabor único” que testemunha Rogil Chihanhe, sobrinho da dona Margarida. Recentemente teve a oportunidade de provar deste prato, pela primeira vez, e partilha a sua experiência, “É uma comida diferente. Muito saborosa. Dava vontade de consumir nas três refeições, infelizmente a panela ficou vazia em um instante (risos)”

Conservação do maguro

O maguro pode ser conservado por até por até dois dias fora do congelador no tempo frio e por mais tempo na geleira. Esta é uma comida para qualquer ocasião, para as refeições de almoço e jantar. Pode, dependendo da preferência de cada um, ser a refeição do pequeno-almoço, que foi o caso do Rogil na sua primeira experiência com o prato.

A sensação de saciedade proporcionada pelo maguro é rápida, pelo que não é necessária a ingestão de grandes porções.

Escrito Por Vanila Amadeu para Tsevele

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