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terça-feira, 06 setembro 2022 16:43

Mwavi: um método de julgamento tradicional Makhuwa

Imagem meramente ilustrativa Imagem meramente ilustrativa

O Mwavi é uma bebida tradicional contendo uma poção mágica, usada como acessório durante os julgamentos comunitários, principalmente aos prevaricadores teimosos, que mesmo sabendo dos seus crimes recusam-se a confessar, daí recorre-se ao Mwavi como instrumento de produção de prova. Recorre-se ao Mwavi para julgamentos de réus acusados de roubo, feitiçaria, adultério, entre outros crimes.

Quando, em um julgamento comunitário, o “réu” não reconhece a prática do crime de que é acusado, mesmo com claras evidências contra si, o régulo pode suspender o julgamento e marcar outra data, concedendo um intervalo que permita a um médico tradicional especialista preparar a poção mágica (Mwavi). Esta consiste geralmente na mistura de uma bebida com ingredientes do conhecimento do nyanga. No dia agendado para a retoma do julgamento, eis que é dado o Mwavi ao suspeito que, caso de facto não tenha praticado o crime, irá inocentá-lo. Mais interessante ainda, o Mwavi tem a capacidade de revelar o verdadeiro criminoso no dia do julgamento, mesmo quando este não fazia parte dos suspeitos e não lhe se tenha aplicado o Mwavi.

No dia do julgamento, a pergunta é antecedida de uma oração, depois o régulo anuncia: “Estamos perante um Mwavi, o réu diz insistentemente que que não roubou. Assim, ele não quer admitir, solicitamos este elemento para nos ajudar a chegar à verdade material. O réu tem o direito de confessar agora ou terá que tomar o Mwavi. Nessa ocasião, o réu é trazido para o centro do Mwavi, e numa cabaça é servida a bebida para ele tomar. Caso não tenha praticado o crime, nada lhe acontecerá, mas se tiver cometido o crime, começa a mexer a boca em movimentos de mastigação até começar a espumar e por fim fica sufocado, mas antes sangra pelas narinas.  Refere-se que uma vez administrado, o Mwavi é fatal, isto é, é irreversível. 

O recurso ao Mwavi ajudou algumas  comunidades ( Meconta, Muecate e Nacarôa) a evitar longos julgamentos. Só a sua presença era suficiente para que as pessoas confessassem a verdade sobre o seu envolvimento em actos ilícitos.

Escrito por Jacinto Jeque para Tsevele

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