tsevelelogo

terça-feira, 25 abril 2023 11:39

FEIMA: o País artístico nas suas várias dimensões

Representação da FEIMA Representação da FEIMA

À semelhança de muitos países africanos, Moçambique apresenta uma grande diversidade artístico-cultural. Há, no país, infraestruturas, lugares e formas de arte, através dos quais são expressas as lutas, os sonhos, os medos, bem como são imortalizadas as conquistas de todo um povo.

A Feira de Artesanato, Flores e Gastronomia de Maputo (Feima), localizada no Jardim do Parque dos Continuadores, na Avenida dos Mártires da Machava, Cidade de Maputo, é um dos locais preenchidos pela imensidão das riquezas do Sul, Centro e Norte de Moçambique.

Feima, inaugurada a 10 de Novembro de 2010, é um destino para quem aprecia a arte moçambicana, bem como para quem deseja respirar o verde das plantas e saborear do melhor da gastronomia nacional.

Os restaurantes, no centro do espaço, encarregam-se de confeccionar iguarias locais. Costumam compor o menu, a “Cacana”, uma receita típica da zona Sul de Moçambique, feita de amendoim, coco, e a própria cacana, podendo ser acompanhada de xima de farinha de milho. E da província da Zambézia é resgatado o “Frango à Zambeziana”, um frango grelhado e regado com leite de coco. Outra iguaria é a “Matapa com Caranguejo”, confeccionada à base de folha de mandioca pilada, amendoim pilado e leite de coco, e misturada com o próprio marisco, o caranguejo. A Matapa é, geralmente, servida com xima de farinha de milho ou arroz branco.

São, na verdade, várias as comidas locais servidas pelos restaurantes com vista a dar a conhecer mais da gastronomia moçambicana, seja para estrangeiros ou nacionais.

A feira é, também, de flores, razão pela qual há bancas de floricultura, um espaço exclusivo para mostra e venda de plantas. Entre diversas cores e formas, medicinais e de adorno, as plantas são preparadas e conservadas em vasos de barro de variados formatos e tamanhos.

Capulana e seu uso diversificado

O espaço “Feira de Artesanato, Flores e Gastronomia” é, igualmente, composto por bancas de capulanas – outra riqueza do país. Há a exposição da capulana e produtos consequentes da mesma, como turbantes, e outros produtos para uso em cerimónias tradicionais, tais como funerais, casamentos, ritos de iniciação, entre outros.

Teresa Tembe, costureira e expositora na Feima há mais de dez anos, mostra as diversas formas de (re) utilizar a capulana.

“Aqui eu vendo bijuteria, decoro cestos e chinelos com a capulana. Para além disso, faço trajes africanos com a capulana, como vestidos, saias, camisas, túnicas, seja para crianças ou adultos. Faço também bases para pratos ou panelas, usando cápsulas e a própria capulana”, conta, a acrescentar que a maior atracção dos turistas que visitam a sua banca está nas roupas e cestos de praia.

A mais passos e atenciosamente, nota-se que a capulana com suas texturas, desenhos e cores, está em quase tudo. Nas bancas de artesanato – outra forma de arte –, os expositores acrescentam fragmentos de capulana aos utensílios produzidos, desde cestos de cozinha e de roupa, bolsas, carteiras, entre outros.

Pintar a história do povo em um tecido

Os acontecimentos do dia-a-dia são, igualmente, ilustrados a partir do Batique, uma técnica das artes visuais que consiste no tingimento de tecido para através dele retratar, em desenhos, tudo o que vem à alma do artista, sejam suas emoções, desafios ou percepções do mundo que o rodeia.

A técnica de Batique, com origem na Ilha de Java, na Indonésia, é uma das formas de arte expostas na Feira de Artesanato, Flores e Gastronomia.

Manuel Manjate, artista plástico e expositor de tecidos de Batique na Feima, avança que “trago aqui, nestes tecidos, vivências da sociedade no passado, para imortalizar a história de Moçambique; no presente, para descrever as situações actuais, e por fim perspectivar o futuro”. O artista sustenta que a particularidade das obras de Batique está na produção que é feita à mão.

Várias técnicas são aplicadas para se obter o resultado final. Tecido, tintas, cera e água são os elementos imprescindíveis no processo de produção do Batique.

“É um lençol branco. Então, depois, nós fazemos os cortes e desenhamos com uma esferográfica preta e usamos cera para isolar as partes que não queremos que a tinta atinja”, explica Manuel Manjate.

As obras são preparadas em vários tamanhos e podem ser colocadas, por preferência, em quadros de parede para adorno em residências e não só.

 “As obras de Batique são muito compradas e apreciadas por pessoas do exterior”, revela Manjate sensibilizando às pessoas, nacionais e internacionais, a apreciar e valorizar mais as obras de Batique.

Telas falantes

Feima é uma porta para as artes. É impossível dar um pulo sem esbarrar  num misto de cores. Artistas plásticos, instalados na Feira, expressam-se através das suas pinturas. São telas coloridas, de desenhos africanos que falam por si só à quem as observa.

“Nas minhas obras, costumo abordar tudo o que me vem em mente. Para além dos desenhos abstratos, gosto de pintar sobre o amor. Amor em todos os sentidos, amor de uma mãe, amor entre casais, entre irmãos”, conta Issufo Giwa, artista plástico, expositor na Feima desde 2010, aquando da abertura do espaço.

As obras de pintura, perfiladas, à semelhança do Batique, pintam as vivências da sociedade moçambicana, bem como de África.

Escrito por Isah Esmeralda para Tsevele

Anuncie