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terça-feira, 11 julho 2023 14:39

Kati kalangu: a bandeira das cerimónias bitongas

Kati kalangu, que em português quer dizer “bolo de panela”, é um bolo tradicional de Inhambane feito com base em material local. Originalmente, o bolo era feito em panelas de barro, gikalangu, em língua gitonga, falada na Cidade de Inhambane e alguns distritos arredores.

É um bolo que era costumeiro no passado, antes da eclosão das variedades de bolo conhecidas hoje. Por diversos motivos, nos tempos actuais algumas pessoas já não conseguem preparar esta especialidade cultural marcante entre os bitongas. De acordo com a nossa entrevistada, Esperança Eugénio, natural de Inhambane, o kati kalangu era omnipresente em praticamente todas as celebrações, como se fosse “a bandeira de uma cerimónia.”

Os ingredientes necessários para confeccionar o kati kalangu, refere a senhora Esperança, são: 4 cocos, uma chávena de açúcar, uma chávena de óleo, canela, 1 Kg de farinha de milho, cardamomo, cebola fresca e cebola seca.

Segundo ela, primeiro coloca-se o óleo a aquecer e depois mete-se a cebola seca, até torrar (tomar a cor acastanhada). Seguido disso adiciona-se uma parte do leite de coco e deixa-se ferver. E com o remanescente do leite de coco dissolve-se uma parte da farinha de milho. 

Quando o conteúdo atinge a fervura, conta a senhora Esperança, acrescenta-se o açúcar, a canela e o cardamomo. “A papa tem que ferver muito e cozer bem, para ficar consistente”, sublinha, explicando os passos seguintes que compreendem a adição da cebola fresca, cuja finalidade é de dar beleza ao bolo, gerando a impressão de serem passas.

“Tem que ser mesmo no tempo de fervura, porque se for antes a cebola amolece. O conteúdo deve ferver por até uma hora de tempo. E quando a papa estiver cozida põe-se a farinha de milho, para dar consistência à massa, como se fosse  uma xima”, explica.

Assim que a massa atinge a consistência desejada, tapa-se a panela  com carvão aceso por cima da tampa. Segundo a nossa entrevistada, o bolo precisa ficar de três a quatro horas a cozer, e isso permite que se solte da panela e facilita o posterior fatiamento do bolo. 

Retirado do fogo, é importante deixar o bolo arrefecer. “Em princípio, o kati kalangu não se come no mesmo dia mas sim no dia seguinte, porque leva muito tempo a arrefecer”, aponta a senhora Esperança. O bolo pode ser acompanhado com chá, sumo ou refrigerante.

O kati kalangu geralmente é consumido nas missas fúnebres, “mas agora, por causa do desenvolvimento, já serve de sobremesa e é feito em festas comuns”, diz a fonte, fazendo depois menção à conservação do bolo. “Pode ser conservado na geleira, mas, quando bem cozido, fora desta pode durar até dois dias”, concluiu.

Escrito por Vanila Amadeu para Tsevele

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