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terça-feira, 15 agosto 2023 15:56

Pahla kufa (Brachylaena discolor): mais uma fonte medicinal natural

Pahla kufa ou Brachylaena discolor Pahla kufa ou Brachylaena discolor

A pahla kufa é uma histórica planta conhecida pela população da zona sul de Moçambique, como sendo o remédio ideal para curar dores e para efeitos de lavagem no abdômen (estômago, intestinos, fígado, vesícula biliar, rins e útero). Muito amarga, a planta também ostenta outros nomes, como impalha, intsombelobacha e patcha.

De nome científico Brachylaena discolor, a pahla kufa pode variar de arbusto a uma árvore dióica (planta que apresenta flores masculinas e flores femininas em pés separados) e cresce até cerca de 6 metros de altura. De acordo com Zelina Muchanga, a impalha é muito usada na província de Gaza, sua terra natal, concretamente no distrito de Chibuto.

A fonte explica que durante toda a sua infância, seus pais valeram-se da planta como um grande aliado medicinal, visto que na altura era difícil a comunidade ter acesso a um hospital ou a um médico.

O entrevistado Enoque Cossa, com vasto conhecimento acerca do arbusto, diz que as folhas de pahla kufa foram amplamente utilizadas durante a era colonial, pelos colonizadores e pela comunidade em geral, para tratar doenças renais, o tratamento de diabetes e também a eliminação de vermes intestinais, mais conhecidos por lombrigas.

Os antepassados do ancião Cossa, por outro lado, acrescentou a fonte, empregavam as raízes para estancar sangramentos do estômago.

Segundo Percina Nhanguatala, natural da Cidade de Maxixe, província de Inhambane, para além de limpar e aliviar as dores de estômago, as raizes de intsombelo bacha são ideais para a limpeza do útero após o parto e até mesmo para fazer aborto.

“Utilizávamos mais a pahla kufa para interromper gravidezes indesejadas. Costumávamos ferver as raízes até alterarem a cor e ingerir a mistura”, conta ela. Percina recorda ainda que, na altura de sua juventude, a planta era também um método contraceptivo de emergência.

“As mulheres da minha terra natal, usavam esta planta para evitar uma possível gravidez, após a relação sexual desprotegida, bastava que elas triturassem as folhas da planta e introduzissem até ao mais fundo do canal vaginal”, referiu. Finalizando, a fonte alertou que, devido a sua potência e efeitos, o consumo da pahla kufa não é aconselhável a gestantes, porque pode provocar um aborto espontâneo.

Para o medicamento, as folhas da patcha devem ser lavadas muito bem, depois trituradas, misturadas num recipiente com água em temperatura ambiente, em seguida ser deixadas agir durante meia hora e por fim coadas.

Actualmente, a planta é pouco usada na província e cidade de Maputo, já que existem existem unidades sanitárias, entretanto, há ainda pessoas que recorrem à pahla kufa para curar as suas dores abdominais.   

Escrito por Agnalda Massango para Tsevele

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