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terça-feira, 15 setembro 2020 22:55

Mussiro

Mulher com máscara de mussiro Mulher com máscara de mussiro

O Mussiro ou N'ssiro, em língua emakhuwa é um creme tradicional extraído do caule da planta homónima. De nome científico Olax dissitiflora, da família das Olocaceae terá começado a ser usado a partir do século X, sobretudo nos distritos costeiros da Ilha de Moçambique, Angoche, Moma, Mossuril.

Amina Abdulatifo, residente na Ilha de Moçambique, afirma que há séculos que as mulheres da Ilha usam o Mussiro para embelezar a pele. A título de exemplo, ela afirma que começou a usar mussiro aos17 anos de idade, e na época algumas mulheres não conseguiam andar sem usá-lo.
Inicialmente, o Mussiro era usado na preparação da rapariga para o matrimónio, mas nos dias actuais, a mítica loção adquiriu outras aplicações. A planta também é usada para cura de diversas doenças

Entre os povos Emakwa, a estética é fundamental e o cuidado de ter uma pele macia e bela faz parte do dia-a-dia desde a infância. O tratamento epitelial é feito através do mussiro. É um pequeno arbusto com uma copa arredondada e estreita, ovaladas e ligeiramente encurvadas cor verde clara com flores brancas com aspecto de lírio e ligeiramente perfumadas. Desta planta se produz um creme rejuvenescedor que combate as espinhas (borbulhas, acne). As mulheres Macuas produzem uma máscara conhecida por Mussiro ou N’siro, elas moem partes do arbusto em uma pedra e acrescentam água. .

"A província de Nampula é tradicionalmente conhecida como a terra das “muthiana orera” ou, simplesmente, meninas bonitas”.
Rituais casamenteiros e de iniciação feminina. As jovens entre os 15 e os 18 anos, quando entram na chamada "segunda menstruação” (adolescência), são preparadas para a vida futura, como o casamento, pelas mulheres da família mais velhas, conhecidas como conselheiras Anakamo [SIC]. Neste período de ensinamentos, a jovem tem de manter o corpo pintado com m’siro durante o dia, lavando-se à noite para o remover, e só é autorizada a conviver com crianças entre os 7 e os 14 anos, sendo-lhe vedado o relacionamento com os adultos. O objectivo deste rigoroso cumprimento visa salvaguardar a virgindade da jovem até ao dia do casamento e simultaneamente manter o seu corpo limpo, aveludado e sem borbulhas. Já na parte final deste período, decorre também o ritual para a iniciação sexual, uma cerimónia designada por Ossinkiya, e que tem como propósito explicar os segredos de sedução, onde o m’siro surge como argumento erótico e perfumado: o ato do coito, usando para isso instrumentos fálicos e alguma teatralização, e como tratar e lidar com o marido.

Segundo os nativos, o mussiro é também um meio para comunicar certas mensagens, particularmente nas relações homem-mulher. Por exemplo, através de certas máscaras, a mulher poderá estar a informar ao parceiro que está no período menstrual.

Escrito por Emanuel Mahira para Tsevele.

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