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terça-feira, 22 dezembro 2020 20:18

Mocho-d'orelhas-africano: a ave da maldição?

Mocho-d'orelhas-africano Mocho-d'orelhas-africano

Khuhunhu (em língua Citswa) ou Mocho-d'orelhas-africano (Otus senegalensis senegalensis) é uma ave de rapina que ocorre na região à sul do deserto de Sahara. Tem entre 17 a 25 cm de comprimento, tipicamente castanho-acinzentada, por vezes castanho-avermelhada claro ou mais quente, marcada com listras e manchas. O seu disco facial cinza tem uma borda preta estreita e tem os olhos amarelos. Possui tufos de orelhas, que geralmente são mantidos abaixados, a menos que a ave seja perturbada.

Em algumas regiões de Moçambique, a ave é conhecida como ave nocturna devido aos seus hábitos nocturnos, o que faz com que em algumas comunidades seja apelidada de “mensageiro do feiticeiro” ou ave da maldição.

De acordo com estas crenças, os praticantes de feitiçaria fazem-se transportar por um mocho durante as suas incursões nocturnas, percorrendo longas distâncias até alcançar o alvo. Segundo estas mesmas crenças, dependendo do espírito que ele transporta, o mocho chega a dialogar com a vítima ou destinatário da maldição, informando dos seus intentos através da voz como se de uma pessoa se tratasse.

“Desde os tempos passados, esta ave foi conhecida como símbolo de maldição, de bruxaria e de obscurantismo tradicional”. É uma explicação dada por Paulo Nhamirre, um caçador de 54 anos de idade, nativo da região de Munavalate, distrito de Vilankulo, província de Inhambane, onde a ave pode ser vista em abundância. Nesta região, bem como em outras onde partilham as mesmas crenças, as crianças são desde cedo ensinadas a simbologia maléfica que o mocho representa.

O nosso interlocutor prosseguiu apresentado outras razões que fazem com que o mocho seja associado à feitiçaria. “O seu ninho é feito por material estranho (restos de cabelo humano e de roupas que encontra em cadáveres nos cemitérios)”. Com estes resíduos, o mocho monta seu ninho no meio de grandes florestas em árvores ou plantas específicas como "titi", uma planta associada também à feitiçaria. Os cemitérios, são também locais preferidos pelo mocho para o seu habitat por serem sítios silenciosos.

Escrito por Amadeu Quehá para Tsevele

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