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terça-feira, 16 março 2021 12:35

Incesto: um pecado que abre a porta à maldição

Fotografia meramente ilustrativa Fotografia meramente ilustrativa

Entende-se por incesto, a prática de relações sexuais entre indivíduos da mesma linhagem sanguínea, entre pais e filhos ou entre irmãos ou primos. Nas sociedades africanas, esta prática é extremamente proibida e repudiável, devido às suas consequências no âmbito genético. Para perceber com mais profundidade as consequências disto, viajamos á região de Mangalisse, ao encontro de Nganzilane.

Seu rosto denunciava a sua "longevidade", uma idade incomum nos últimos tempos: Oitenta e um anos. São anos carregados de muitos ensinamentos e caracterizados por um seguimento à risca, dos hábitos e costumes da sua gente, desde a sua infância passada em Njelechele, um povoado situado no extremo norte da província de Inhambane.

"Nwananga, a kunga tchavi a zwayila, ku vitana lifo. A massiku ya tolo hiwa hanya hi ku lanza a milayu ya ntumbunuku", apontou a idosa num discurso que traduzido em português quer dizer " filho, o desrespeito pelas regras ou tabus, convida a morte. No meu tempo, vivíamos seguindo os hábitos e costumes que nos eram transmitidos".
Indivíduos que cometem incesto, se auto amaldiçoam. Se não forem devidamente tratados, as suas futuras uniões tornam-se num castigo. Seus filhos, morrem precocemente.

A idosa, deu exemplo de uma mulher que se envolvera, sexualmente, com seu irmão. O primeiro filho nasceu com problemas, tendo morrido semanas depois.
Tentou, novamente, o segundo filho também morreu e, assim sucedeu com as outras tentativas.

Porém, a nossa entrevistada explicou que uma vez o incesto praticado, os praticantes ainda têm a chance de serem curados desta maldição.
A purificação acontece por via de um ritual, em que é preparado um remédio designado "nzwana". A dose é um composta por raízes de plantas de xibinhani, xexenga e mabhophe.

Faz parte da receita, um pedacinho de....carne de cão! E não é qualquer pedaço; deve ser algo retirado, da carne do órgão genital do animal. Assa-se até que torre para permitir o seu esmagamento.

Depois, junta-se o pó obtido da carne de cão às raízes já mencionadas (as raízes foram secas secas e depois piladas e transformadas em pó).
Outro ingrediente é a cinza (deve ser cinza de uma lareira onde lenha de diferentes espécies se encontra).

Prepara-se xima, onde se adiciona o remédio conseguido dos produtos mencionados anteriormente. Em seguida, serve-se a xima “condimentada” num prato de barro e, na presença dos anciãos, prevaricadores comem o remédio, numa cerimónia muito restrita.
A toma deste remédio para purificar indivíduos que praticaram incesto, acontece em dose única, onde o homem e a mulher em causa, são tratados juntos, finalizou a nossa fonte.

Escrito por Amadeu Quehá para Tsevele

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