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terça-feira, 30 março 2021 12:33

Maheu: uma bebida que acompanha a história da gastronomia Moçambicana

Fotografia ilustrativa do processo de preparo de maheu e o produto final Fotografia ilustrativa do processo de preparo de maheu e o produto final

Maheu é uma bebida ou um aperitivo, muito consumido na região sul de Moçambique. É normalmente servido em cerimónias ou ao pequeno-almoço. Trata-se de uma bebida simples e com um valor cultural extremamente importante, ao ponto de não faltar em cerimónias, sobretudo, em enlaces matrimoniais.

Na actualidade, esta bebida tem sido por vezes, substituída por refrigerantes. Entretanto, as melhorias na sua forma de confeccionar e conservar, têm conquistado cada vez mais admiradores para o seu consumo, de diferentes níveis sociais.

Com base no conhecimento e práticas dos povos do sul de Moçambique, o Maheu não era comercializado, devido ao peso cultural do mesmo mas, na actualidade, é comum encontrar pequenos produtores e fornecedores deste produto que, em troca de valores monetários, assim sustentam suas famílias.

As Massugukatis, anciãs ou mulheres mais velhas, eram as pessoas mais indicadas para o preparo deste refresco. Entretanto, com o andar dos tempos, hoje em dia qualquer pessoa pode preparar o Maheu.

Felizarda Massango, oriunda da província de Gaza, actualmente vivendo em Maputo, é produtora e comerciante de Maheu hà quase sete anos, e fala-nos um pouco dos ingredientes e do modo de preparo desta bebida.

A senhora Felizarda começa por partilhar os ingredientes necessários: farinha de milho, água e açúcar. “A quantidade dos ingredientes dependerá da quantidade que se pretende extrair. No caso de um quilograma de farinha, serão necessários três litros de água e açúcar a gosto", explica Felizarda.  Segundo ela, para preparar esta bebida, é preciso deixar a farinha de milho de molho "ku loveka”, num recipiente com água durante 24horas, antes de levar ao processo de cozedura.

Após o “Ku loveka”, cozinha-se bem a farinha para formar uma papa não muito espessa (mas também não muito leve) por cerca de 20 ou 30 minutos. Deve-se mexer com a colher de pau, regularmente, até ganhar a tal consistência e, cuidando para não formar bolas de farinha mal cozida.

Uma vez pronta a papa de farinha de milho, deixa-se arrefecer, de um dia para o outro. No dia seguinte, retira-se com cuidado a película seca que se forma à tona e, cuidadosamente (para não levantar possíveis fundos meio queimados), transfere-se a papa para um recipiente onde vai acontecer a fermentação. O recipiente pode ser de plástico ou, ao bom estilo antigo, uma bilha de barro (cerâmica). Antes, porém, deita-se no fundo desse recipiente, um pouquinho de açúcar que vai servir de catalizador da fermentação. Num intervalo de um a dois dias, (depende da velocidade da fermentação) deixa-se o empapado a repousar em um lugar escuro e fresco. Quando estiver fermentado (soltando bolhinhas), adoça-se a gosto com açúcar e serve-se fresco. E conserva-se bem num jarro e na geleira.

Para ajudar na fermentação, a tradição ensina também a colocar dentro um pedaço descascado de batata doce.

O Maheu, por ser uma bebida pesada, deve ser consumido muito moderadamente, por forma a não prejudicar o apetite para o resto das refeições. É uma bebida que se serve fresca e boa em qualquer hora do dia.

Escrito por Elton Matule para Tsevele

 

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