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Alvo Ofumane

Alvo Ofumane

terça-feira, 27 outubro 2020 19:18

Pilão: Um "pilar" das famílias Moçambicanas

Pilão é um utensílio culinário basilar na cozinha dos povos Africanos, usado há várias gerações para triturar e amassar alimentos. Em algumas regiões de Moçambique, com mior destaque para o sul do país, o pilão simboliza lar ou família. “Um lar sem um pilão é comparado à uma casa sem pilares, portanto, sem estrutura”, explica a senhora Joaneta, uma anciã de 73 anos, residente na província de Gaza. Por esta razão, o pilão é um dos principais utensílios a ser oferecido aos noivos no dia seguinte ao casamento, numa cerimónia chamada xiguiane, segundo a nossa entrevistada.

sexta-feira, 23 outubro 2020 19:13

A dança Mapiko como símbolo de resistência

Mapiko é uma manifestação cultural do povo Maconde, originário da Província de Cabo Delgado, norte de Moçambique. O Mapiko é também o nome da máscara utilizada na execução da dança. Caracterizadapor uma mistura de encenação, música e dança ao som do batuque e cantos tipicamente tradicionais, a dança Mapiko é rodeada de mistérios e segredos.

O buraco dos assassinatos é uma cavidade rochosa natural, com uma profundidade de cerca de cinco metros e um diâmetro de aproximadamente setenta centímetros. Invadido pelas águas do oceano Índico, o mesmo localiza-se no bairro Josina Machel, junto à praia do Tofo, na província de Inhambane.

Difícil é passar pela província da Zambézia e não se deliciar do famoso todwe. O prato típico e tradicional da província é predominante nas zonas do litoral, onde há mangais, o seu habitat natural.

terça-feira, 13 outubro 2020 18:55

Dança TUFO: do simbolismo ao encanto

A dança Tufo (em Português) ou ETHUFU em língua Enahara, uma variação linguística da língua emakwa, é uma dança tradicional do norte de norte de Moçambique, praticada especialmente nas zonas costeiras de Angoche, Ilha de Moçambique, Pemba e Ibo. A dança carrega consigo um simbolismo de cultura, por meio da sua coreografia, trajes típicas da zona norte do País, a famosa capulana das mulheres macuas, as quais a chamam EKHUWO.

A Estação Arqueológica de Chibuene localiza-se há cinco quilómetros do centro da cidade de Vilankulo, na província de Inhambane, sul de Moçambique. Trata-se de um museu histórico cultural que guarda uma importante fase da história de Moçambique. Foi neste local onde durante o primeiro milénio da Era antes de Cristo, mercadores árabes baseavam-se para fazer as suas trocas comerciais com Manyikeni.

Um pouco por toda a província da Zambézia é comum que os pais de um recém-nascido questionem a qualquer um que queira carregar o seu bebé se manteve relações sexuais na noite anterior ou naquele mesmo dia. Para não expor o visitante, a questão costuma ser normalmente colocada de forma irónica : “ estás quente?” , caso a resposta seja sim ou seja, a pessoa tenha mantido relações sexuais, não deve tocar na criança sob o risco do bebé ter viriga.

sexta-feira, 02 outubro 2020 18:32

Xibehe: mais um segredo da gastronomia Chope

Xibehe (pronunciado txibehe) é um alimento que, assim como o óleo de mafurra, acompanha a diversidade gastronómica dos machopes já há anos. Este também é derivado da mafurra.

A sua produção consiste no aproveitamento do bagaço do qual foi extraído o munhazi ou ntona. Portanto, depois do processo de extracção do ntona, deixa-se o conteúdo restante a ferver, num fogo brando, para evitar a queimadura. Uma vez acabada a água, o conteúdo deverá, segundo refere Margariga, já se ter transformado em uma pasta sólida. “Depois de atingir este ponto de consistência, tira-se do fogo para arrefecer. Já arrefecido, o produto está pronto para ser moldado com as mãos em formato de pequenas arrofadas, que deverão ser expostas ao sol para secar entre uma a duas semanas”. A nossa entrevistada aponta para a importância de uma boa secura como elemento crucial para melhor e mais duradoira conservação. Assim, o xibehe pode ser mantido por mais de um ano, se for colocado em ambiente fresco e seco.

O consumo deste alimento pode ser efectuado mesmo antes de ser moldado em rodelas e colocado a secar ao sol. Carlos Amadeu confessa que esta é a sua forma de consumo favorita. Neste caso, ele é simplesmente servido no prato, consumido simples ou com mandioca cozida, ou ainda colocada a pasta no caril de peixe a coco. Já o xibehe seco por duas semanas, também pode ser consumido da mesma forma, para tal deverá ser pilado para transformá-lo em farinha que possa facilitar a mistura com os outros alimentos. Este também pode, como culturalmente os machopes fazem, ser consumido no caril de folhas de batata-doce ou de thseke, quando cozido a coco.

Curiosidades

  • A produção do óleo de mafurra no caso é acompanhada por alguns tabus. Conforme a nossa entrevistada refere, são factos que podem ser verificados por qualquer um. Entre os tabus está o que refere que:
    Há que ter cautela em relação às pessoas que vão participar da produção do óleo de mafurra, pois, segundo refere Margarida, uma mulher menstruada ou que se envolveu em acto sexual há poucas horas da preparação do óleo, se participara na produção do ntona, a sua extracção fracassa;
  • Existe ainda o que ela chama de “não ter mão para fazer óleo de mafurra”, o que significa que há pessoas que são naturalmente desabilitadas a produzir o alimento. Segundo Margarida, isto acontece não porque as pessoas visadas não possam cumprir rigorosamente com as medidas exigidas, mas porque quando chega a altura de colocar a panela no fogo para extracção do óleo, este simplesmente não sai. Este é o caso da Margarida, que sempre que pretende produzir o óleo, conta com a ajuda das filhas para pôr as panelas no fogo;
  • A quantidade do óleo a ser extraído da panela não depende da quantidade da mafurra amassada, mas do que Margarida chama de “mão de cada um”.

Escrito por Vanila Amadeu para Tsevele.

Munhazi em língua Citswa, Ntona em língua Cicope (ou XiChope, ou simplesmente Chope), é azeite de Mafurra uma fruta silvestre consumida sobretudo na zona sul de Moçambique, entre os meses de Dezembro à Março. O ntona ou munhazi é uma referência infalível e obrigatória na gastronomia do povo machope. Os machopes são uma etnia que habita predominantemente os distritos de Inharrime e Zavala, província de Inhambane, e uma parte do norte de Gaza, na zona sul de Moçambique.

Nzhumba é o nome de uma dança originária dos antigos povos da África Austral, tendo Maguiguana como a principal referência que permitiu que esta expressão cultural chegasse ao povo moçambicano.

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