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Alvo Ofumane

Alvo Ofumane

sexta-feira, 16 abril 2021 09:14

Bazaruto: a Ilha protegida pelos deuses

Bazaruto é a maior das ilhas que compõem o Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto, na província de Inhambane, sul de Moçambique. Antigamente, a ilha era habitada exclusivamente por duas etnias: a família Huo também designada por Massa e/ou Simango e a família Zivane. Eram estas duas famílias que garantiram a multiplicação da espécie humana na ilha.

Localizada no território do distrito de Inhassoro, a ilha oferece condições óptimas para a prática de turismo natural, de sol e praia. Quase na orla do velho Índico, Bazaruto é um centro de convergência multicultural, onde indivíduos de várias origens geográficas se cruzam para desfrutar do ar puro de moção, oferecido pelo Oceano.

Com sua gente hospitaleira como é característica dos povos de Inhambane (terra da boa gente), a ilha carrega consigo uma mitologia secular que serve de base de comunicação entre os vivos e os ancestrais.

A lenda dos deuses da ilha, foi explicada por Jaimito Zivane, da linhagem dos nativos primeiros habitantes da ilha: desde os tempos remotos, aquela região insular é protegida por deuses, que agem contra agentes externos com intenções obscuras sobre a ilha e os seus habitantes. Estes deuses, não fazem mal a ninguém, sem motivos.

A nossa fonte explica que, por exemplo, os Ilhéus depois de uma festa, não precisam de recolher as coisas para dentro das casas. Artigos como aparelhos de som, mesas, até comida, são deixados ao relento a noite toda, sem que ninguém ouse roubar algo.

Aliás, excepto visitantes desavisados, todo o Ilhéu sabe que na ilha não se rouba, não se subtrai pertences alheios, sob pena de receber castigos severos por parte dos deuses. Na ilha, as manadas de boi, rebanhos de cabrito ou outras espécies, são criados de forma livre sem nenhuma preocupação. Tudo é confiado às mãos dos deuses.

Jaimito Zivane, contou que num passado não muito distante, um grupo de ladrões idos do continente, quis concretizar um plano de viajar à ilha a fim de roubar gado caprino.
Eis que depois do carregamento dos cabritos roubados, o motor do barco não aceitou arrancar, não obstante a insistência e a experiência dos marinheiros. Foi a acção dos deuses. O barco ficou imobilizado até que os Ilhéus aperceberam-se da invasão e agiram.

Outro episódio popular na ilha é o do indivíduo que, encontrando-se no Bzaruto a trabalho, praticou adultério com esposa de um habitante da ilha. O indivíduo em causa, sabendo da reacção do traído, tentou encetar uma fuga. Inexplicadamente, acabou vagueando pela ilha durante quatro dias feito louco, até ser neutralizado. Os Ilhéus acreditam ter sido acção dos deuses que, apercebendo-se de tamanha imoralidade, viram a necessidade de agir.

Os deuses servem, igualmente, como protectores de todos os Ilhéus, incluindo dos visitantes. Para os vivos estabelecerem contacto com os deuses, fazem-no por intermédio de um ancião que, procedendo ao ritual do Ku Phalha, orienta a interacção com espíritos por via de uma cerimônia.

Escrito por Amadeu Quehá para Tsevele

 

terça-feira, 13 abril 2021 11:19

Dança Niketxe: do simbolismo aos mitos

Niketxe é uma dança tradicional praticada no norte da província da Zambézia, concretamente no distrito de Namarroi, 230km da cidade capital Quelimane. A dança é caracterizada pelo uso de cobras venenosas vivas, colocadas no pescoço, nas mãos e na cintura dos dançarinos, entre mulheres e homens.

Xinholo é a designação que se dá à tartaruga marinha na região do Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto que, inclui quatro ilhas: Benguerrua, Magaruque, Santa Carolina e Bazaruto. É um réptil marinho, conhecido pela sua sabedoria e inteligência, razão pela qual tem sido apelidado de animal mais sábio do mar, daí a sua longevidade, segundo explicou Manuel Zivane.

Maheu é uma bebida ou um aperitivo, muito consumido na região sul de Moçambique. É normalmente servido em cerimónias ou ao pequeno-almoço. Trata-se de uma bebida simples e com um valor cultural extremamente importante, ao ponto de não faltar em cerimónias, sobretudo, em enlaces matrimoniais.

O bairro ou a cidade de Macuti ou Omakuthini- o que quer dizer casa coberta de palha ou macuthi- situa-se no lado sul da Ilha de Moçambique e possui mais de 1200 casas de construção precária.

O lobolo pode ser entendido de diversas formas, dependendo de como se posiciona quem pretende discutí-lo, bem como suas pretensões. Pode-se colocar, aqui, a esfera sociocultural e a religiosa.

quinta-feira, 18 março 2021 08:40

Nicucwa, Ntare, Ntsala: o celeiro tradicional

Desde tempos remotos que os nossos antepassados organizaram um lugar protegido da chuva e de qualquer animal para guardar os seus excedentes agrícolas. Esta era a forma de garantir alimentos em tempos de escassez, bem como para armazenar, de forma a servir para a sementeira na época seguinte.

terça-feira, 16 março 2021 12:35

Incesto: um pecado que abre a porta à maldição

Entende-se por incesto, a prática de relações sexuais entre indivíduos da mesma linhagem sanguínea, entre pais e filhos ou entre irmãos ou primos. Nas sociedades africanas, esta prática é extremamente proibida e repudiável, devido às suas consequências no âmbito genético. Para perceber com mais profundidade as consequências disto, viajamos á região de Mangalisse, ao encontro de Nganzilane.

sexta-feira, 12 março 2021 09:17

Mutxoro ou bonhane: o rato comestível

No norte da província da Zambézia, concretamente nos distritos de Alto Molocué, Ile, Gurué, Gilé e Namarroi e em alguns distritos da província de Nampula, um prato típico chama a atenção de quem por lá passa, o mutxoro, ou simplesmente ratazana (Rattus Norvegicus). No sul de Moçambique, o mesmo é chamado bonhana ou bonhane.

Para quem vê o pela primeira vez, tem logo a ideia de um rato normal. Mas, de acordo com os consumidores, o Mutxoro não é um rato qualquer.

Segundo os apreciadores, o rato que vive dentro de casa, tem um cheiro característico (cheira fumo), enquanto que o Mutxoro tem um sabor e aroma especial porque alimenta-se de produtos da machamba (arroz, mapira, amendoim, mandioca, milho e mexoeira), uma vez que o campo é o seu habitat.

O Mutxoro é, normalmente, encontrado e comercializado no verão e, acredita-se que é neste período que o Mutxoro tem mais sabor.

Para a sua captura é necessário fazer várias armadilhas. A armadilha mais eficiente consiste em torrar e pilar o milho: o aroma do milho torrado é que atrai o Mutxoro para o isco, que é normalmente colocado na entrada do buraco da ratazana, ou seja, no seu lugar de esconderijo. O isco é concebido de tal forma que quando a ratazana entra, não consegue sair, e é possível encontrar muitas ratazanas no mesmo buraco. Não se coloca o milho torrado sem ter a certeza que o lugar é habitat do animal e este passou recentemente pelo mesmo.

Depois da captura do Mutxoro existe um processo no seu tratamento para chegar ao consumidor, pois há consumidores que gostam do rato com as tripas e outros sem elas.
Depois da sua captura, leva-se o rato ao lume para chamusca-lo ou seja, queimar-lhe os pelos. Depois, com ajuda de uma lasca da casca de cana-doce, raspa-se o Mutxoro.

O mutxoro não pode ser raspado com recurso à faca porque, pode remover a própria pele do rato. Em seguida, retiram-se as tripas e coloca-se numa assadeira e leva-se ao lume, para melhor conservação e a venda.

De acordo com alguns consumidores, o Mutxoro é mais saboroso no tempo de verão e pode ser preparado de várias maneiras: com amendoim, com tomate e óleo ou até mesmo assado.

A preparação do Mutxoro com amendoim é simples, segue-se a mesma maneira do preparo do frango com amendoim ,tendo em conta o tamanho do rato para evitar que não se desfaça, no processo de cozedura.

 

Escrito por Edmilson Mucuala para Tsevele

terça-feira, 09 março 2021 08:44

Xexenga: uma planta, várias soluções medicinais

Xexenga é o nome de uma planta nativa moçambicana que abunda no distrito de Vilankulo, concretamente na região de Macunhe. Cientificamente conhecida por "Tabernaemontana elegans", esta planta possui múltiplos usos e, é
de extrema importância para as comunidades locais, moçambicanas.

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