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Alvo Ofumane

Alvo Ofumane

terça-feira, 02 março 2021 08:14

A mafurra: do sabor aos “mitos” do sono

Com sabor único e inconfundível, a mafurra é um frunto da planta  Trichilia emetica ou simplesmente mafurreira, que pode ser  encontradaum pouco por todo país, sobretudo na zona sul, onde é maisconsumida. A mafurra apresenta duas colorações características, vermelha e branca, ou mistura das duas. A sua utilidade é variada. Para além de  ser consumida logo quando atinge o processo de maturação, ela pode ser conservada para servir de matéria-prima para a produção do óleo de mafura (munhazi ou ntona) e xibehe, dois alimentos que representam a marca gastronómica do povo Chope. As suas sementes podem ser usadas para produzir sabão. A sua época, desde o florescimento à maturação estende-se de Dezembro à Maço.

terça-feira, 22 dezembro 2020 20:18

Mocho-d'orelhas-africano: a ave da maldição?

Khuhunhu (em língua Citswa) ou Mocho-d'orelhas-africano (Otus senegalensis senegalensis) é uma ave de rapina que ocorre na região à sul do deserto de Sahara. Tem entre 17 a 25 cm de comprimento, tipicamente castanho-acinzentada, por vezes castanho-avermelhada claro ou mais quente, marcada com listras e manchas. O seu disco facial cinza tem uma borda preta estreita e tem os olhos amarelos. Possui tufos de orelhas, que geralmente são mantidos abaixados, a menos que a ave seja perturbada.

Em algumas regiões de Moçambique, a ave é conhecida como ave nocturna devido aos seus hábitos nocturnos, o que faz com que em algumas comunidades seja apelidada de “mensageiro do feiticeiro” ou ave da maldição.

De acordo com estas crenças, os praticantes de feitiçaria fazem-se transportar por um mocho durante as suas incursões nocturnas, percorrendo longas distâncias até alcançar o alvo. Segundo estas mesmas crenças, dependendo do espírito que ele transporta, o mocho chega a dialogar com a vítima ou destinatário da maldição, informando dos seus intentos através da voz como se de uma pessoa se tratasse.

“Desde os tempos passados, esta ave foi conhecida como símbolo de maldição, de bruxaria e de obscurantismo tradicional”. É uma explicação dada por Paulo Nhamirre, um caçador de 54 anos de idade, nativo da região de Munavalate, distrito de Vilankulo, província de Inhambane, onde a ave pode ser vista em abundância. Nesta região, bem como em outras onde partilham as mesmas crenças, as crianças são desde cedo ensinadas a simbologia maléfica que o mocho representa.

O nosso interlocutor prosseguiu apresentado outras razões que fazem com que o mocho seja associado à feitiçaria. “O seu ninho é feito por material estranho (restos de cabelo humano e de roupas que encontra em cadáveres nos cemitérios)”. Com estes resíduos, o mocho monta seu ninho no meio de grandes florestas em árvores ou plantas específicas como "titi", uma planta associada também à feitiçaria. Os cemitérios, são também locais preferidos pelo mocho para o seu habitat por serem sítios silenciosos.

Escrito por Amadeu Quehá para Tsevele

Os ritos de iniciação são instituições culturais constituintes dos direitos culturais, que são uma das dimensões importantes dos Direitos Humanos. Praticados em todo o país, este texto aborda apenas os ritos de iniciação praticados na região norte de Moçambique, nas provívias de Cabo delgado, Nampula, e Niassa - os Ekhoma Tse Emwali.

Kondossano é um lugar histórico localizado na província da Zambézia, concretamente no distrito da Maganja da Costa, 200km da cidade capital Quelimane. O local é usado para a realização de cerimónias tradicionais dirigidas por autoridades tradicionais locais, muitas vezes acompanhadas por autoridades governamentais.

Totonto, Nipa ou Sope, são alguns dos nomes usados para designar o gin tradicional ou simplesmente aguardente, produzido em várias regiões de Moçambique. O mesmo é produzido a partir de variadas matérias-primas, com destaque para cana-de-açucar, cajú, jambalão (Syzygium cumini), citrinos (laranja, tangerina, limão, toranja, ...) e em menor escala usa-se também a manga e alguns frutos silvestres como pêra, massala, entre outros.

Matrilinearidade é uma classificação ou organização de um povo, grupo populacional, família, clã o linhagem em que a descendência é contada em linha materna. Trata-se de um conceito muito importante nas sociedades makhwas do norte de Moçambique, onde a liderança e poder na família é exercido pela mulher e especialmente pelas mães de uma comunidade, as chamadas Aphwiamwenes, em língua emakhwa.

sexta-feira, 04 dezembro 2020 20:03

Xigovia ou Gorigo: uma expressão de vida de um povo

Xigovia é um instrumento musical tradicional, feito a partir de uma fruta redonda que tanto pode ser massala, macuácua ou mabuma. Em alguns casos, também pode ser feito a partir de barro. O mesmo pertence ao grupo de instrumentos do tipo aerofone.

terça-feira, 01 dezembro 2020 20:00

Ophompwa: a vacina contra o mal

A crença em figuras espirituais com poderes sobrenaturais domina a vida da grande maioria do povo moçambicano. A existência do feitiço é usada para explicar vários fenómenos da vida em diferentes cantos do país e, por isso, a população procura formas de afastar o mal de suas vidas, uns por via de oração, e outros por meio de práticas tradicionais.

sexta-feira, 27 novembro 2020 19:56

O Primeiro Hospital (Central) de Moçambique

Construído na Ilha de Moçambique em 1877 por uma equipa das obras públicas vinda de Portugal (Girimula, 2008; Schwalbach e de la Maza, 2010), este foi o primeiro hospital de Moçambique colonial e um dos mais antigos da região sul do deserto de Sahara.

O hospital foi construído com o objectivo assistir não só os residentes da Ilha de Moçambique e província de Nampula, mas também cidadãos de outras províncias do país, bem como doentes de outras regiões, em particular de África Oriental. Mais tarde, deu assistência social e humanitária aos feridos das duas grandes Guerras Mundiais (Girimula, 2008).

De acordo com o médico Moçambicano João Schwalbach (2010), este pode ter sido o primeiro e mais antigo hospital africano ao Sul do Sahara a materializar um conceito epidemiológico de prevenção da transmissibilidade de doenças, visível através dos seus blocos e enfermarias separados para evitar a contagiosidade das doenças transmissíveis.

O hospital central de Moçambique, como era e é chamado, é uma das relíquias e maiores atractivos turísticos da Ilha de Moçambique, pelas suas características arquitectónicas gregas e manuelinas, seus artefactos excepcionais, o que o torna único e incomparável.

TT-/2020-11

Visitar a cidade de Inhambane e não degustar dos famosos bolos de sura “é como visitar a cidade de Roma e não visitar o Vaticano”. Assim afirmam os nativos, num ar de charme e orgulho por uma das iguarias que a cidade oferece aos seus residentes e aos visitantes.

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