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Alvo Ofumane

Alvo Ofumane

quinta-feira, 18 março 2021 08:40

Nicucwa, Ntare, Ntsala: o celeiro tradicional

Desde tempos remotos que os nossos antepassados organizaram um lugar protegido da chuva e de qualquer animal para guardar os seus excedentes agrícolas. Esta era a forma de garantir alimentos em tempos de escassez, bem como para armazenar, de forma a servir para a sementeira na época seguinte.

terça-feira, 16 março 2021 12:35

Incesto: um pecado que abre a porta à maldição

Entende-se por incesto, a prática de relações sexuais entre indivíduos da mesma linhagem sanguínea, entre pais e filhos ou entre irmãos ou primos. Nas sociedades africanas, esta prática é extremamente proibida e repudiável, devido às suas consequências no âmbito genético. Para perceber com mais profundidade as consequências disto, viajamos á região de Mangalisse, ao encontro de Nganzilane.

sexta-feira, 12 março 2021 09:17

Mutxoro ou bonhane: o rato comestível

No norte da província da Zambézia, concretamente nos distritos de Alto Molocué, Ile, Gurué, Gilé e Namarroi e em alguns distritos da província de Nampula, um prato típico chama a atenção de quem por lá passa, o mutxoro, ou simplesmente ratazana (Rattus Norvegicus). No sul de Moçambique, o mesmo é chamado bonhana ou bonhane.

Para quem vê o pela primeira vez, tem logo a ideia de um rato normal. Mas, de acordo com os consumidores, o Mutxoro não é um rato qualquer.

Segundo os apreciadores, o rato que vive dentro de casa, tem um cheiro característico (cheira fumo), enquanto que o Mutxoro tem um sabor e aroma especial porque alimenta-se de produtos da machamba (arroz, mapira, amendoim, mandioca, milho e mexoeira), uma vez que o campo é o seu habitat.

O Mutxoro é, normalmente, encontrado e comercializado no verão e, acredita-se que é neste período que o Mutxoro tem mais sabor.

Para a sua captura é necessário fazer várias armadilhas. A armadilha mais eficiente consiste em torrar e pilar o milho: o aroma do milho torrado é que atrai o Mutxoro para o isco, que é normalmente colocado na entrada do buraco da ratazana, ou seja, no seu lugar de esconderijo. O isco é concebido de tal forma que quando a ratazana entra, não consegue sair, e é possível encontrar muitas ratazanas no mesmo buraco. Não se coloca o milho torrado sem ter a certeza que o lugar é habitat do animal e este passou recentemente pelo mesmo.

Depois da captura do Mutxoro existe um processo no seu tratamento para chegar ao consumidor, pois há consumidores que gostam do rato com as tripas e outros sem elas.
Depois da sua captura, leva-se o rato ao lume para chamusca-lo ou seja, queimar-lhe os pelos. Depois, com ajuda de uma lasca da casca de cana-doce, raspa-se o Mutxoro.

O mutxoro não pode ser raspado com recurso à faca porque, pode remover a própria pele do rato. Em seguida, retiram-se as tripas e coloca-se numa assadeira e leva-se ao lume, para melhor conservação e a venda.

De acordo com alguns consumidores, o Mutxoro é mais saboroso no tempo de verão e pode ser preparado de várias maneiras: com amendoim, com tomate e óleo ou até mesmo assado.

A preparação do Mutxoro com amendoim é simples, segue-se a mesma maneira do preparo do frango com amendoim ,tendo em conta o tamanho do rato para evitar que não se desfaça, no processo de cozedura.

 

Escrito por Edmilson Mucuala para Tsevele

terça-feira, 09 março 2021 08:44

Xexenga: uma planta, várias soluções medicinais

Xexenga é o nome de uma planta nativa moçambicana que abunda no distrito de Vilankulo, concretamente na região de Macunhe. Cientificamente conhecida por "Tabernaemontana elegans", esta planta possui múltiplos usos e, é
de extrema importância para as comunidades locais, moçambicanas.

terça-feira, 02 março 2021 08:14

A mafurra: do sabor aos “mitos” do sono

Com sabor único e inconfundível, a mafurra é um frunto da planta  Trichilia emetica ou simplesmente mafurreira, que pode ser  encontradaum pouco por todo país, sobretudo na zona sul, onde é maisconsumida. A mafurra apresenta duas colorações características, vermelha e branca, ou mistura das duas. A sua utilidade é variada. Para além de  ser consumida logo quando atinge o processo de maturação, ela pode ser conservada para servir de matéria-prima para a produção do óleo de mafura (munhazi ou ntona) e xibehe, dois alimentos que representam a marca gastronómica do povo Chope. As suas sementes podem ser usadas para produzir sabão. A sua época, desde o florescimento à maturação estende-se de Dezembro à Maço.

terça-feira, 22 dezembro 2020 20:18

Mocho-d'orelhas-africano: a ave da maldição?

Khuhunhu (em língua Citswa) ou Mocho-d'orelhas-africano (Otus senegalensis senegalensis) é uma ave de rapina que ocorre na região à sul do deserto de Sahara. Tem entre 17 a 25 cm de comprimento, tipicamente castanho-acinzentada, por vezes castanho-avermelhada claro ou mais quente, marcada com listras e manchas. O seu disco facial cinza tem uma borda preta estreita e tem os olhos amarelos. Possui tufos de orelhas, que geralmente são mantidos abaixados, a menos que a ave seja perturbada.

Em algumas regiões de Moçambique, a ave é conhecida como ave nocturna devido aos seus hábitos nocturnos, o que faz com que em algumas comunidades seja apelidada de “mensageiro do feiticeiro” ou ave da maldição.

De acordo com estas crenças, os praticantes de feitiçaria fazem-se transportar por um mocho durante as suas incursões nocturnas, percorrendo longas distâncias até alcançar o alvo. Segundo estas mesmas crenças, dependendo do espírito que ele transporta, o mocho chega a dialogar com a vítima ou destinatário da maldição, informando dos seus intentos através da voz como se de uma pessoa se tratasse.

“Desde os tempos passados, esta ave foi conhecida como símbolo de maldição, de bruxaria e de obscurantismo tradicional”. É uma explicação dada por Paulo Nhamirre, um caçador de 54 anos de idade, nativo da região de Munavalate, distrito de Vilankulo, província de Inhambane, onde a ave pode ser vista em abundância. Nesta região, bem como em outras onde partilham as mesmas crenças, as crianças são desde cedo ensinadas a simbologia maléfica que o mocho representa.

O nosso interlocutor prosseguiu apresentado outras razões que fazem com que o mocho seja associado à feitiçaria. “O seu ninho é feito por material estranho (restos de cabelo humano e de roupas que encontra em cadáveres nos cemitérios)”. Com estes resíduos, o mocho monta seu ninho no meio de grandes florestas em árvores ou plantas específicas como "titi", uma planta associada também à feitiçaria. Os cemitérios, são também locais preferidos pelo mocho para o seu habitat por serem sítios silenciosos.

Escrito por Amadeu Quehá para Tsevele

Os ritos de iniciação são instituições culturais constituintes dos direitos culturais, que são uma das dimensões importantes dos Direitos Humanos. Praticados em todo o país, este texto aborda apenas os ritos de iniciação praticados na região norte de Moçambique, nas provívias de Cabo delgado, Nampula, e Niassa - os Ekhoma Tse Emwali.

Kondossano é um lugar histórico localizado na província da Zambézia, concretamente no distrito da Maganja da Costa, 200km da cidade capital Quelimane. O local é usado para a realização de cerimónias tradicionais dirigidas por autoridades tradicionais locais, muitas vezes acompanhadas por autoridades governamentais.

Totonto, Nipa ou Sope, são alguns dos nomes usados para designar o gin tradicional ou simplesmente aguardente, produzido em várias regiões de Moçambique. O mesmo é produzido a partir de variadas matérias-primas, com destaque para cana-de-açucar, cajú, jambalão (Syzygium cumini), citrinos (laranja, tangerina, limão, toranja, ...) e em menor escala usa-se também a manga e alguns frutos silvestres como pêra, massala, entre outros.

Matrilinearidade é uma classificação ou organização de um povo, grupo populacional, família, clã o linhagem em que a descendência é contada em linha materna. Trata-se de um conceito muito importante nas sociedades makhwas do norte de Moçambique, onde a liderança e poder na família é exercido pela mulher e especialmente pelas mães de uma comunidade, as chamadas Aphwiamwenes, em língua emakhwa.

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